A Associação de Paralisia Cerebral de Viana do Castelo (APCVC) tem, neste momento, em funcionamento dois projetos inovadores. O CAVI (Centro de Apoio à Vida Independente) e o CACI (Centro de Atividades Ocupacionais) são duas das respostas da instituição instalada, desde outubro de 2005, na freguesia de Santa Marta de Portuzelo, mas que dá apoio a todo o distrito.
“O nosso objetivo foi sempre construir um espaço de raiz e ter esta (CACI) e outras respostas, mas a construção de raiz ainda está atrasada. Estamos num espaço arrendado que temos de adaptar. E que teve custo elevados, mas fizemos um contrato de arrendamento por 20 anos, mas em paralelo temos o projeto de construção de raiz. Nós já temos um terreno, que é perto destas instalações”, contava a vice-presidente da Instituição. Filomena Araújo referia que a autarquia vianense ajudou na readaptação do espaço para acolher os “clientes”. Neste momento, integrados no CACI estão 10 utentes, mas a resposta permite incluir três dezenas.
A diretora técnica da Instituição salientava que “o projeto CACI é uma resposta social vocacionada para aquelas pessoas que não têm capacidade para continuar o percurso formativo ou continuar na escola, a partir dos 18 anos, mas que também não têm capacidade para o mercado de trabalho convencional. Esta é uma resposta que enquandra esta população”. Ana Silva reconhecia que “esta resposta já fazia parte dos objetivos da Associação, que pretendia a criação do Centro de Atividades Ocupacionais. Agora com a nova legislação tem a designação de CACI, mas era algo que a instituição lutava há algum tempo. Ter condições físicas, um espaço adequado e a aceitação de um protocolo”. Acrescentando que “as atividades são pensadas individualmente para cada um dos clientes. O nosso principal objetivo é ir de encontro ao projeto de vida de cada um. Ajudar a que os clientes possam definir e construir o próprio projeto de vida e depois vamos ajustando as nossas atividades de acordo com aquilo que eles pretendem”.
Parcerias são fundamentais
Durante o funcionamento do espaço, a Associação foi estabelecendo parcerias com a comunidade. “Ao longo deste tempo que estamos a trabalhar fomos tentando estabelecer algumas parcerias com entidades locais para que as atividades aconteçam na comunidade e nos contextos de vida e não sejam realizadas apenas dentro das paredes da Instituição. O nosso objetivo é que os clientes estejam, o mais possível, incluídos na comunidade local. Não só em Santa Marta, mas também no concelho e nos concelhos vizinhos para que sintam parte da comunidade, mas também esta os veja como elementos participantes da comunidade”, salienta a diretora técnica. Dando conta das parcerias com as Câmaras de Viana e de Ponte de Lima, a escola Profissional de Hotelaria e Turismo, a Junta de Freguesia e Centro Paroquial e Social de Santa Marta.
Projeto CAVI
A funcionar, na APCVC, desde 2019, o Centro de Apoio à Vida Independente (CAVI) é um projeto que tinha por objetivo “desinstitucionalizar as pessoas que só estavam integrados num Lar porque não tinham ninguém que as pudesse ajudar com algumas tarefas domésticas”.
“É um projeto que está a marcar a diferença no distrito e a nível nacional. São neste momento 35 projetos a funcionar no país”, refere Ana Silva. A diretora técnica explica que este projeto é “o único que existe no distrito de Viana e foi pensado para prestar apoio a 15 pessoas com deficiência ou incapacidade. De acordo com as limitações que tenham não têm autonomia e precisam de um assistente pessoal que faça as atividades em conjunto com eles”, adiantando que o objetivo é “suprimir as dificuldades para conseguir ter uma vida digna, autónoma e independente”.
Com este projeto foi criada uma bolsa de horas e estas são disponibilizadas consoante as necessidades dos beneficiários. “Com o nosso saber profissional organizamos as atividades e ajudamos na construção de um projeto de vida, mas é a própria pessoa que o decide. Independentemente do grau de deficiência e incapacidade a pessoa tem vontades e o nosso papel é facilitar a comunicação, o entendimento, proporcionar-lhe uma vida ativa e experiências diversificadas, mas ir de encontro às expectativas individuais. Não devemos fazer atividades por fazer. Fazemos as atividades porque aquele jovem quer fazer daquela forma. Fazer, mostrando que a pessoa é o centro do planeamento”, assinala.
A vice-presidente manifesta que o objetivo é construir uma estrutura de raiz para ter também uma área residencial. “Há necessidade de termos respostas residenciais diferentes onde podemos conjugar as famílias e os deficientes. O envelhecimento na deficiência não tem sido muito pensado e cada vez mais temos pessoas envelhecidas, mas estas têm necessidades distintas. Estamos também a desbravar terreno nesta área porque não há nada pensado”.
Projeto Dente de Leão
Outro projeto da APCVC é o Dente de Leão, que apoia “as famílias com crianças e jovens com grandes dependências e nas paragens do período escolar”.
Filomena Araújo adianta que neste momento este projeto ainda não é uma resposta social. “Ao longo destes 10 anos temos tentado torná-lo numa resposta social. Temos o apoio da Câmara, mas queríamos que se tornasse numa resposta. Costumámos ter 10 utentes e para apoiar temos de ter seis funcionários. É impossível funcionar com menos de seis. As respostas inovadoras são necessárias. Ouvindo a comunidade vamos adaptando as respostas”, explica.
