O cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara de Viana do Castelo nas autárquicas de domingo disse hoje que a cultura é a “principal” prioridade do partido, por ser “completamente desvalorizada”.
Segundo Carlos da Torre, “a programação, a oferta cultural que existe em Viana do Castelo é pobre, é demasiado pobre para a importância que Viana devia ter e para a importância que Viana devia dar a esse consumo de produtos culturais por parte dos vienenses”.
O candidato do BE defende que uma outra oferta cultural poderia, inclusive, ser um estímulo para atrair outro tipo de pessoas e para criar outras dinâmicas, “inclusive para animar a atividade da cidade de Viana e do concelho no seu todo”.
“Somos sempre tentados a fazer comparações com outras cidades aqui à volta e percebemos que nunca ficamos a ganhar na comparação. Ora, isso é mau, é triste e é uma coisa que não sai do sítio”, sustentou.
Além de uma “oferta cultural pobre”, Carlos da Torre acrescentou que “há muitos criadores culturais, há muita gente a fazer trabalho cultural com diferentes idades, em diferentes áreas, mas que se confrontam, todos, com o mesmo”.
“Com a dificuldade em aceder a espaços capazes para desenvolver a sua atividade. Dificuldades em estabelecer relações com públicos, porque isso também tem a ver com equipamentos que não existem ou que são usados de uma maneira que não permitem essa utilização. Há equipamentos básicos que outros sítios têm, que Viana tem diagnosticado há muito tempo a necessidade deles e não os cria”, criticou.
Como exemplos apontou “espaços onde os criadores culturais possam fazer o seu trabalho nas diferentes áreas, fotografia, cinema, teatro, artes visuais, portanto, entre outras atividades que se fazem em Viana, mas fazem com tantos constrangimentos que o efeito é muito diminuído por essas condições”.
“Também não há um diálogo capaz entre as pessoas [produtores artísticos] e a câmara, porque tudo se resume a pequenos episódios que quase parecem favores. Ora, não são favores. A câmara tem de desempenhar o seu papel nessa dinâmica e os criadores também têm de desempenhar o seu papel nessa dinâmica com naturalidade e com responsabilidade de ambos os lados. Ora, isso não acontece, porque não há interesse nessa área”.
Para o candidato do BE, “a cultura é básica para tudo o resto, porque cria condições para se pensar as coisas de uma forma diferente, para se ter uma sensibilidade diferente. Ela própria tem potencial económico, como sabemos, e Viana não tem apostado numa área que teria um potencial enorme”.
Atualmente, o executivo de Viana do Castelo é composto por cinco eleitos pelo PS, um eleito pela CDU, um vereador independente (social-democrata que deixou o partido para integrar o Chega) e dois vereadores da coligação PSD/CDS-PP.
Concorrem à Câmara de Viana do Castelo nas eleições de domingo o atual presidente da autarquia, Luís Nobre (PS), Paulo de Morais (coligação PSD/CDS-PP), Duarte de Brito Antunes (IL), José Flores (coligação PCP/PEV), Carlos Torre (BE), Eduardo Teixeira (Chega) e Luís Arezes (ADN).
