O NOSSO “PETRÓLEO BRANCO”
«A riqueza de uma nação mede-se pela riqueza do seu povo e não pela riqueza dos seus príncipes».
ADAM SMITH
Os nossos governantes e alguns dos nossos autarcas, têm vivido eufóricos com a provável exploração de lítio, que se projeta por este Portugal além. Então, dizem frases lindas, capazes de pôr os cabelos arrepiados ao mais intrépido condenado, a caminho da forca. Eis algumas: «Governo pensa trazer gigantes do lítio antes das eleições». Ou esta: «o lítio vai ser a nova energia e há abundância em Portugal» Ou então esta antologia protagonizada por João Galamba, secretário de Estado da Energia: será lançado um único concurso público “para viabilizar a entrada de um grande “player” (grupo) internacional no setor.” E continua: «governo quer posicionar Portugal no centro da cadeia do valor do lítio».
O secretário de Estado também assegura que serão feitos bons Cadernos de Encargos e que serão exigidos rigorosos cumprimentos na sua execução. Mas todos nós conhecemos o poderio desses grupos internacionais, quando se trata de países fracos e periféricos como é o nosso. [..]
As imagens verdadeiras que nos chegam das zonas do globo onde este minério é explorado são assustadoras, mesmo terríveis. Paisagens esventradas por enormes crateras, montes cortados às fatias, morros escalpelizados sem qualquer vegetação. É por isso que este alto negócio está envolto num manto de cobardia. Os decisores, isto é, os Governantes, os Deputados e os Autarcas, despacham lá nos seus gabinetes e fogem dos povos […]
Esta zona da Serra de Arga é uma das mais cotadas para a extração de lítio. […] Está catalogada na Rede Natura 2000, mas, pelo andamento, isso agora já nada interessa. A febre de agora é o lítio, e depois quem vier atrás que se lixe, que “feche a porta”, mesmo que seja a caminho do cemitério. […] Temos que nos unir e lutar até à exaustão. As Juntas de Freguesia, os Conselhos Diretivos de Baldios e todas as Associações Cívicas, devem pôr de lado as opções partidárias, forjar uma grande união para lutar contra este autêntico apocalipse.
MANUEL ANTANOA DOMINGUES