Deficientes visuais de Viana mais isolados por causa da pandemia

A pandemia de Covid-19 afetou a população em geral, contudo aos deficientes visuais que utilizam “muitas vezes o tato” nas deslocações obrigou-os a recolherem-se mais.

Em entrevista, os elementos da direção delegação de Viana do Castelo da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) falam do papel em “defender os direitos das pessoas com deficiência visual”.

Conscientes das dificuldades, revelam a aposta do Município de Viana do Castelo para tornar “a cidade mais acessível”. Como pontos a melhorar apontam: “a falta de sinalização sonora em algumas passadeiras, o piso tátil não é uniforme nem aplicado em toda a cidade e existem algumas ruas que necessitamos de reforçar o ensino aos utentes por terem demasiados “obstáculos””. Os dirigentes da delegação local apontam ainda a “falta de civismo” de alguns vianenses.

Há quanto tempo existe a ACAPO em Viana do Castelo?
A ACAPO existe em Viana do Castelo há 20 anos.

Qual é a principal finalidade da Instituição?
A delegação de Viana do Castelo rege a sua intervenção pelas políticas nacionais, tendo como missão defender os direitos das pessoas com deficiência visual com o objetivo da sua plena inclusão, através da representação dos seus interesses, da prestação de serviços e da consciencialização da sociedade. Tem como principal foco ser a instituição de referência na representação dos interesses e direitos das pessoas com deficiência visual junto dos atores sociais e decisores políticos em Portugal, bem como junto dos organismos internacionais. Prima também a sua intervenção no sentido de conseguir que todas as pessoas com deficiência visual se sintam capazes e livres para fazer as suas escolhas, realizar as suas ambições e participar na sociedade sem terem de enfrentar barreiras físicas, sociais, culturais ou emocionais.

Só apoiam os deficientes visuais do concelho de Viana? Quantos existem?
A nossa intervenção é distrital, ou seja, apoiamos as pessoas com deficiência visual de todo o distrito. Atualmente temos 115 pessoas identificadas com deficiência visual, que fazem parte da nossa base de dados. No entanto sabemos e acreditamos que existem mais pessoas e estamos a tomar diligências neste sentido.

Quais as principais necessidades?
No que se refere aos utentes e sendo também a nossa perspetiva como instituição, as principais necessidades passam pela reabilitação pessoal, no sentido de aceitarem a sua condição e adquirirem maior autonomia e independência; valorização da pessoa enquanto cidadão participativo em sociedade.

E dificuldades?
Como dificuldades podemos apontar o bloqueio inicial da condição de pessoa com deficiência visual; desinvestimento pessoal; sociedade ainda pouco inclusiva; tecido empresarial pouco elucidado sobre as capacidades da pessoa com deficiência visual.

Vivemos num tempo de pandemia. Esta situação agudizou a situação dos deficientes visuais?
Teve um grande impacto nas suas vidas, tal como na generalidade das pessoas. No entanto, sentimos que os seus projetos de vida e atividades desenvolvidas foram colocados em causa, o que se refletiu no bem-estar emocional. Dada a especificidade desta população em recorrer muitas vezes ao sentido do tato nas suas deslocações, esta fez com que o receio da pessoa se agudizasse o que nos leva a assistir a algum isolamento. O cancelamento dos transportes escolares foi também um motivo para que alguns dos utentes de outros concelhos, não tivessem meios sequer para suprimir as suas necessidades principais, levando a recorrer a meios mais dispendiosos.

A cidade de Viana do Castelo está preparada para a diferença? Quais os principais entraves que encontram os invisuais, por exemplo, numa deslocação, a pé, pela cidade?
O Município de Viana do Castelo tem trabalhado para tornar a cidade mais acessível para todos, nomeadamente nas obras de requalificação da via pública com introdução de pisos táteis. Não podemos considerar uma cidade totalmente acessível pois sabemos que, infelizmente é uma utopia. De uma forma geral, podemos identificar a falta de sinalização sonora em algumas passadeiras do concelho, o piso tátil não é uniforme nem aplicado em toda a cidade e existem algumas ruas que necessitamos de reforçar o ensino aos utentes por terem demasiados “obstáculos”. Podemos ainda salientar a falta de civismo de alguns cidadãos que transgridem as regras gerais do bom uso da via pública, dificultando as deslocações das pessoas com deficiência visual, nomeadamente: estacionamento em cima dos passeios, colocação de painéis publicitários à entrada das lojas, desrespeito na colocação das esplanadas impedindo a transição na via pública.

Habitualmente faziam algumas iniciativas. O que tiveram de cancelar?
A Direção da Delegação promove todos os meses uma atividade de caráter inovador, de socialização ou de novas experiências que tiveram que ser suspensas dado ao facto de serem em grupo e recorrem a outras entidades parceiras. A atividade em meio aquático também foi cancelada, dada ao encerramento destes espaços e à suscetibilidade do mesmo. Entre outros, estes cancelamentos tiveram repercussões negativas na vida das pessoas apoiadas pela Delegação pois, para muitas, era o seu maior meio de socialização.
As ações de sensibilização que promovemos foram, em primeira instância suspensas, sendo agora retomadas por videoconferência. No entanto, sentimos que necessitamos da vertente prática para ensinar as técnicas indispensáveis para guiar uma pessoa com deficiência visual.

Tem alguma atividade programada para os próximos tempos?
Dada a necessidade de manter o contacto entre utentes/associados, a equipa técnica criou um grupo com sessões por teleconferência/videoconferência onde são realizadas atividades com o objetivo de diminuir o isolamento social, promover a partilha e o bem-estar emocional. Este grupo tem a vantagem de poder perdurar no tempo e, quem sabe, assim que o estado atual do país o permitir, possa vir a ser presencial.

Quais os projetos para os próximos anos?
Tal como espelhado no nosso Plano Anual para 2021 tentaremos cumprir com as ações propostas dentro daquilo que são as limitações impostas pela pandemia. Contudo, iremos orientar a nossa intervenção no sentido de melhorar a nossa visibilidade, através de um contacto regular com as autarquias e instituições do distrito. Melhorar os nossos serviços através da escuta ativa dos nossos associados. Inovar na proposta de atividades; procurar os parceiros-chave para a sustentabilidade da Delegação e inovação das ações. E ainda melhorar as

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