EDITORIAL: A imigração continua na ordem do dia!!!

Acabaram umas eleições e novas eleições estão à porta; agora são as presidenciais. Entretanto, os candidatos, desde há muito em campanha eleitoral, particularmente aqueles que, aparentemente, têm mais hipóteses de eleição, procuram opinar em cada momento sobre o que entendem que mais toca os portugueses. E um dos assuntos que não sai de agenda, e que agora se aproveita para lhe dar enfoque, é o da imigração. Infelizmente, sem que dele se faça um debate sereno e de forma elevada em todas as suas vertentes. Agora até temos Passos Coelho a dizer-nos que os portugueses correm o risco de se sentirem estrangeiros na sua própria casa, quando sabe que o número de estrangeiros que estão entre nós (oriundos de todo o mundo) são pouco mais do que 1,5 milhões, à volta de um terço da população ativa residente em Portugal, e menos que os 1,8 milhões de portugueses que estão fora do país.

Mas há dados mais relevantes. O semanário Expresso da última semana, em estudo da jornalista Elizabete Miranda, diz-nos que um “recuo na imigração desequilibra as contas públicas e aprofunda défices futuros da Segurança Social”. Considera que vão longe os tempos em que as contas da Segurança Social eram um drama para os ministros das Finanças. Avança, ainda, que há excedentes orçamentais, graças ao crescimento do número de pessoas que estão a trabalhar e a descontar, sendo 17,1% imigrantes. E, citando dados oficiais adianta que “no final do ano passado havia 5,51 milhões de trabalhadores com pelo menos 20 anos de idade e com descontos para a Segurança Social, tratando-se de um número recorde, sem paralelo na última década”. Elizabete Miranda diz, também, que de entre estes 5,51 milhões de contribuintes, que entregaram à Segurança Social €27,7 mil milhões de receita (mais 10,3% do que no ano anterior), 17% são estrangeiros”.

Neste trabalho que vimos a citar, a desmontar as atoardas da extrema direita, quando afirma que os imigrantes estão a viver à custa dos portugueses, cita-se que “a idade média dos estrangeiros está centrada na faixa etária entre os 20 e os 40 anos de idade, enquanto a idade média do total de trabalhadores no ativo ronda os 42 anos. E os imigrantes declaram salários em torno dos 1194 euros, abaixo dos 1659 euros de média dos portugueses”. Que a imigração deve ser regulada, até para dar decência ao mundo do trabalho, é uma evidência, mas daí até explorar infamemente o assunto, escamoteando realidades assentes em números, é que deve ser deplorado. 

GFM

Fundado a 15 de dezembro de 1855, tem como objetivo principal a defesa intransigente dos interesses e das reivindicações legítimas das populações, e do progresso económico, cultural e social da região onde se publica.

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