Com frequência nos queixamos de que nada é como dantes. Queixamo-nos da juventude que nada tem a ver com a do nosso tempo. Falamos da desarticulação da sociedade, onde escasseia o humanismo e campeia o egoísmo, e reprovamos a falta de solidariedade e a interajuda. Mas, também nos esquecemos, particularmente os mais velhos, que quando éramos novos, já os nossos pais se queixavam dos males que hoje apontamos.
Não temos, e jamais teremos, sociedades perfeitas, onde impere a harmonia, o bem-estar da maioria dos cidadãos, e onde muito haja e pouco falte para que a satisfação chegue a todos, independentemente da sua classe social. Porém, se não devemos ter a ilusão das sociedades onde reine a felicidade coletiva, poderemos, com certeza, apostar numa sociedade com maiores níveis de contentamento. Temos é que fazer por isso. Todos temos a obrigação de trabalhar para construir sociedades desenvolvidas e justas. No entanto, enquanto não interiorizarmos esta cultura, estaremos a dar passos muito curtos para sacudir a letargia em que por vezes nos deixamos cair.
O esclarecimento é hoje um problema sério com que a nossa sociedade se debate, muito consequência do uso das redes sociais. Antigamente entrávamos nos cafés e deparávamos com a maior parte da clientela a ler jornais. Quase não havia uma mesa onde não estivesse alguém entretido com a leitura de um diário, uma revista ou um livro. Hoje, deparamos, sim, com toda a gente de smartphones na mão e raramente se vê alguém entretido com outro tipo de leitura. Há dias, Pedro Marques Lopes, comentador do programa “Eixo do Mal”, desolado, comentou que, num debate numa escola em que participou, alguns alunos se queixaram de que os últimos 50 anos foram os piores para Portugal. Não foi mais longe e não sabemos se o esclarecimento vingou entre aqueles alunos, mas afirmações deste tipo dá para arrepiar.
Voltamos ao princípio. Não temos que temer as alterações das sociedades, porque elas sempre existirão. Mas que temos que trabalhar muito para melhorar a sociedade que temos, que ninguém tenha dúvidas. Os exemplos de duas grandes iniciativas recentemente realizadas em Viana, que foram e são nesta edição por nós noticiadas, a comemoração do 43º aniversário da Liga do Amigos do Hospital e as comemorações dos 50 anos da “Zé Pedro Associação Musical”, esta com três belos espetáculos, são um excelente exemplo da voluntariedade que ainda vinga entre nós, mas, há que reconhecê-lo, cheira a pouco. Há ainda muito terreno para desbravar.
GFM