EDITORIAL: Abril não se cansa. Antes se renova

As comemorações do 25 de Abril deste ano, que vão no quinquagésimo segundo ano, pelo que patenteamos, mostraram de novo o respeito pela data, a par da confiança que esta continua a merecer. Por mais que alguns teimem em denegrir a Revolução, atribuindo-lhe maldades injustificadas, o povo não esquece o que foram 48 anos de ditadura. Mesmo os mais novos, que não conheceram esse tempo de servidão, de guerras e de atraso, com fuga maciça para a emigração, mesmo esses sentem que pontuais insatisfações presentes não recomendam inversão ao rumo que, em democracia, se vem e vai fazendo.

Debater comparações do tempo do Estado Novo com o tempo presente é perder tempo e dar voz a quem não é sério. Porque quem esteve na famigerada guerra colonial e viu tombar companheiros de armas; quem foi estimulado para cultivar o ódio e contrariar princípios de cidadania; quem fugiu da vivência em grupo, porque haveria sempre um bufo pronto a denunciar; quem viveu tudo isso, só tem que se alhear de debates estéreis, e não dar campo a quem mais não pretende do que travar a marcha de um país que, apesar de erros cometidos e passar por períodos de estagnação, foi dando saltos na valorização de meios e pessoas.

Contudo, sem esquecer o que foi o passado a que o 25 de Abril colocou um ponto final, é necessário caminhar com mais solidez; ter projetos galvanizadores e apostar de forma estudada no melhor aproveitamento de recursos; valorizar e utilizar mais a ciência, de forma a associar sinergias e facilitar o trabalho produtivo; fazer uma aposta forte nas pessoas competentes e dizer não ao amiguismo; em suma, criar todas as condições para atingir uma economia próspera, que reduza a pobreza com que ainda nos debatemos em muitos estratos populacionais. 

Sem esquecer o que de tão mau tivemos, passado meio século, é verdadeiramente tempo de olharmos mais para o futuro, de dar esperança à juventude, mostrando-lhes que Portugal é o seu país, que não têm razões para emigrarem e, em família unida, não contribuírem para a criação de um país moderno. É preciso provar que somos capazes de combater baixos níveis de crescimento, que nos podemos tornar num país verdadeiramente culto, e ter níveis avançados de vivência.

Só desta forma respeitaremos a Revolução de Abril. Só por este caminho retiraremos espaço aos demagogos, aos vendedores de ilusões, que se escusam ao debate sereno onde não campeie a mentira. Temos que criar o sentimento completo e profundo de que vale a pena HONRAR ABRIL.

GFM 

Partilhar

Diretor do jornal A Aurora do Lima

Item adicionado ao carrinho.
0 itens - 0.00€

Assine o “A Aurora do Lima”, o jornal mais antigo de Portugal Continental, por apenas 20€/ano!

Há 169 anos que o “A Aurora do Lima” faz parte da história económica e social do Alto Minho, com um impacto especial em Viana do Castelo.

Garanta já a sua assinatura e ajude-nos a manter viva esta tradição centenária!