Agora são para as presidenciais. Não se pretende aqui defender a abolição desta prática eleitoral, porque se não fossem debatidas as questões de maior acuidade na governação do país, faltar-nos-ia o esclarecimento para melhor saber eleger. Já sabemos que temos candidatos que passam ao lado das questões mais delicadas e se mostram habilidosos a socorrem-se de argumentos tantas vezes falaciosos. Mas igualmente sabemos que há os candidatos elevados, que nunca perdem a compostura, que não recorrem à batota e fazem uso de argumentos quase sempre sérios, se bem que muitas vezes, a argumentação dependa muito da visão que cada um tem dos casos em debate.
É evidente que quem assiste aos debates e vê as campanhas eleitorais no seu todo, começa a ter perspicácia suficiente para não valorizar muito o que se vai dizendo e prometendo. Depois, com o aprofundamento do conhecimento, os cidadãos também vão fazendo com qualidade a triagem do que ouvem, desvalorizando o discurso pouco sério e dando apreço à argumentação sólida e fundamentada.
Quem assistiu ao primeiro debate entre os candidatos José António Seguro e André Ventura, viu e ouviu este último afirmar que a emigração de jovens portugueses atingiu o seu mais alto nível no tempo do Partido Socialista, nos governos de António Costa. Dá para pasmar, porque esta questão da saída dos portugueses para outros países é demasiado conhecida, particularmente pelos cidadãos mais idosos, tratando-se por isso de uma afirmação enganosa. Mas nada como recorrer aos números, porque temos informação abundante, a começar na “Pordata”, talvez o sítio mais habilitado em matéria de indicadores.
Consta deste portal que os períodos mais acentuados da emigração portuguesa foram 1966, com 120 mil pessoas, e 1973, com 79 mil. Depois, em 2013, no Governo da AD (2011/2015), de Passos Coelho e Paulo Portas, foram 53 mil os que saíram de Portugal. Apesar de não haver suficiente informação sobre a idade, é consabido que nos primórdios da emigração quase só saía a juventude, para fugir à tropa, à guerra, à miséria e aptos a fazer o que recusavam os naturais dos países para onde se emigrava, que era o trabalho sujo e duro.
Outras contradições se verificaram neste debate, tal como se verificarão nos demais. Refere-se esta por ser a mais gritante. Confundir a emigração do Portugal do Estado Novo com o Portugal Democrático é confundir alhos com bugalhos.
E, para que não nos deixemos iludir, nada como estar atentos, para em janeiro do próximo ano votarmos para eleger o nosso novo Presidente com suficiente conhecimento de causa.
GFM