Está provado: cerca de dois terços dos portugueses apostam nesta Democracia em que vivemos; mesmo que insatisfeitos, dada a não resolução de problemas que têm persistido no país ao longo do tempo. A proposta do retorno ao Estado Novo – não com um, mas com três Salazares – foi inequivocamente derrotada no local próprio; nas urnas, onde o povo se pode manifestar, como Juiz em causa que lhe toca, tal como mandam as boas regras da liberdade.
Nestas eleições acabadas de realizar, nas quais foi eleito o novo Presidente da República, os portugueses tornaram claro que desejam um Chefe de Estado que, com elevação, compreenda pragmaticamente os grandes problemas do país e, igualmente, os deste mundo interligado, particularmente as indecisões do Continente Europeu, do qual somos parte integrante. É preciso compreender que o aperfeiçoamento das sociedades só é possível na base de entendimentos, mesmo que mínimos.
Os portugueses aperceberam-se bem que o muito que falta resolver no país não se consegue com discursos esotéricos, prometendo este e o outro mundo, mas antes com boa compreensão das insuficiências, a que se seguirá o debate sereno para o encontro das melhores soluções e, com celeridade, a sua adoção. E se o povo soube escolher bem o seu novo Presidente, também o deve saber fazer agora na exigência de um Portugal melhor, onde cada um sinta mais vontade de viver.
A participação de um povo na vida de uma sociedade democrática, de valores e livre cidadania, não se resume apenas a votar em cada ato eleitoral. Com convicção, mas também com compreensão das circunstâncias de cada momento, cada comunidade deve ser ativa na reivindicação de uma sociedade evoluída e equitativa na distribuição da riqueza. Um povo desinteressado em ser parte de um corpo ativo na defesa do progresso será presa fácil dos populistas que, para prometer o impossível, são capazes de mentir com desfaçatez a todo o momento.
Agora que a sociedade portuguesa tem toda a sua estrutura governativa democraticamente eleita, com tempo suficiente para uma boa governabilidade, é necessário ir mais longe e conquistar o progresso de que o país está desde há muito necessitado. Agora, deixou de haver desculpas para não o fazer. O adiamento de soluções para delicados problemas que temos, com tendência para se agravarem, exige esforço e determinação de todos, a começar no poder que elegemos para nos governar. Deixa de haver desculpas quando não sabemos, ou não queremos, sacudir a apatia que desde há muito tempo está entre nós instalada.
GFM