Esperam há nove anos por decisão judicial

Oito antigos trabalhadores dos ex-Estaleiros Navais de Viana do Castelo têm estado concentrados, de forma revezada, em alguns dias da semana, junto ao Tribunal de Trabalho, na Praça da Liberdade, pois há nove anos que estão à espera de uma decisão deste sobre a sua situação.

Conforme nos explicou António Costa, um dos ex-trabalhadores e último coordenador da comissão de trabalhadores, foi em 30 de abril de 2014 que foram despedidos.  “Não aceitamos o plano de rescisões que estava em cima da mesa. Sempre defendemos que a empresa era viável e vital para o setor industrial da zona. Até porque o país tem uma estratégia nacional naval, e os ENVC  tem todos as condições para ter esse investimento da parte do Estado”, disse-nos.

Perante isso, entendem que “neste processo, se aceitassem o dinheiro ou a rescisão, por mútuo acordo, iria trair os princípios pelo quais sempre lutamos, o de viabilizar os Estaleiros como uma empresa com futuro”. 

Estes trabalhadores dizem-se “revoltados com toda esta forma de gestão processual que tem sido ao longo destes nove anos. Estamos aqui parados sem nunca ser tidos nem achados. Isto está a chegar a um ponto em que tudo é demais”.

Os ex-trabalhadores querem saber “quem manda efetivamente nos tribunais e quais os prazos indicativos que os juizes têm obrigação de cumprirem”. Garante que se trata de “um processo que não é nada complicado. Há uma decisão do Tribunal da Relação de Guimarães, proferida em 18 de maio 2022″, estando “em frente ao gabinte do senhor juiz para que ele nos veja e não se esqueça. Provavelmente, tem o nosso processo por debaixo de muitos e poderá estar esquecido”, acrescentando que  “à luz da lei, um processo de despedimento coletivo é prioritário”.

O último coordenador da comissão de trabalhadores lembra, ainda, que  “são oito famílias que estão com a vida em jogo. Andamos aqui a ser massacrados a nível da saúde, a nível financeiro e penso que há um limite para isto tudo tudo”.    

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