Um padre da Diocese de Viana do Castelo, que exercia o sacerdócio em seis paróquias do concelho de Monção, confirmou ter abusado sexualmente de um menor. O caso seguiu para o Ministério Público (MP).
A Diocese de Viana do Castelo informa, em comunicado, que “recebeu uma denúncia, no âmbito dos abusos sexuais de menores, visando o Pe. André Filipe da Costa Gonçalves, tendo a mesma Diocese comunicado a notificação às autoridades civis e canónicas competentes”.
Confrontado, o sacerdote confirmou as acusações, tendo tomado a “decisão de se afastar do exercício das suas funções”.
Fonte da Diocese explica que “partilha do profundo sofrimento da vítima e família, sendo com enorme sentimento de vergonha que torna públicos estes factos, desejando, também, exprimir o maior afeto e cuidado às comunidades paroquiais até agora confiadas”.
“Nesta circunstância particular, a diocese de Viana do Castelo quer reforçar o desejo de ser um ambiente seguro e um espaço onde se possa dar voz ao silêncio, pedindo, ainda, todo o esforço, coragem, confiança e oração à comunidade diocesana, neste momento especialmente doloroso”, refere a nota.
Segundo aquela fonte, o “testemunho” do padre de 40 anos, que exerce o sacerdócio desde 2007, “permite concluir que os atos ocorreram fora de lugares e instituições diocesanas”.
A mesma fonte adiantou que “os abusos aconteceram durante o ano de 2022”.
“Não existe mais nenhuma denúncia em relação a este ou outro padre da diocese de Viana do Castelo”, realçou a fonte.
O jovem, de 17 anos, enviou um comunicado às redações, referindo que “houve total consentimento das duas partes”.
“Tudo o que aconteceu entre mim e o Padre André Filipe Gonçalves foi com o consentimento dos dois, o que não deixa de constituir um problema para o sacerdote. Contudo, o mesmo confrontado com a denúncia admitiu o facto de se ter envolvido comigo e não, como referia o comunicado, ter abusado de mim”, disse o jovem. Acrescentando: “O André pediu logo de imediato dispensa do sacerdócio. Todavia, D. João Lavrador insistiu, mesmo tendo o Ministério Público referido que o acontecido não era abuso, em publicar o comunicado referindo o sacerdote como pedófilo. Peço que a verdade seja reposta. Mais uma vez friso, tudo o que aconteceu entre mim e o André Filipe foi consentido, não me obrigou a nada!”.
A Diocese de Viana do Castelo teve conhecimento desta relação, confirmada pelos intervenientes, através de carta anónima recebida na última sexta-feira. De imediato, e segundo fonte da Diocese, foram contactadas as partes, que confirmaram.
O padre João Bastos disse, à comunicação social, que “à luz do Direito Canónico, os delitos relacionados com esta área referem-se a menores inferiores a 18 anos, com ou sem consentimento, portanto isso é o que importa para a ação da Igreja”. O responsável pela comunicação da Diocese acrescenta: “sabemos que o Ministério Público e o Direito Civil tem outras regras”.
Fonte da Diocese garante ainda que o relacionamento aconteceu fora do âmbito religioso. “Todos os episódios que nos foram relatados e por aquilo que nos é possível saber ocorreram fora do contexto da Diocese. Fora da Instituição, eventos, lugares”.
Nos próximos dias, o bispo da Diocese, D. João Lavrador vai enviar “uma carta aos paroquianos que ele serviu” para pedir “desculpa e perdão” pela “preocupação muito grande de verem que afinal alguém que esteve à sua frente os enganou”.
“Agora, claro, isto não evita em primeiro lugar, a dor, o sofrimento que é meu, que é da Diocese, que é das paróquias onde ele serviu, porque se sentem defraudadas”, declarou.
João Lavrador afirmou que uma coisa foi “experimentar racionalmente”, de forma “intelectual”, o problema dos abusos no seio da Igreja Católica, outra é sentir “a dor, o sofrimento, na realidade”.
Para o bispo, o facto de o caminho estar “bem delineado”, definindo os procedimentos a adotar, permitiu o encaminhamento imediato do processo.
O padre ministrava nas paróquias do Divino Salvador de Cambeses, Santa Maria de Abedim, Nossa Senhora das Neves de Bela, São João Baptista de Longos Vales, São João Baptista de Portela e São Miguel de Sago e, era assistente dos convívios fraternos, tudo no concelho de Monção.
