Cinco anos depois do arranque da iniciativa «Tratar o cancro por tu» e já com 26 sessões realizadas, que juntaram mais de 3.500 participantes em 15 cidades, o Ipatimup regressa «à estrada» para voltar a falar, alertar e partilhar conhecimento sobre cancro com a população. De 19 de fevereiro a 12 de março, os cientistas do Ipatimup e alguns dos melhores especialistas locais estarão ainda em Viana do Castelo (dia 19 de fevereiro –Ambiente, comportamento e cancro: compreender para prevenir – Auditório Professor Lima de Carvalho da ESTG/IPVC. Nesta edição os temas centram-se na prevenção, deteção precoce e no tratamento de cancro.
Apesar dos avanços significativos na prevenção do cancro e no acesso aos cuidados oncológicos, a Europa, sublinha Elisabete Weiderpass, líder na OMS para o cancro, através do IARC, «continua a enfrentar grandes desafios em termos de ocorrência de novos casos de cancro. É preciso inverter estes números». Nesse sentido, acrescenta a investigadora, os cientistas e clínicos que participam nas sessões da iniciativa “Tratar o cancro por tu”, «ao falarem diretamente com os cidadãos com clareza, empatia e verdade, são essenciais para quebrar tabus e promover o acesso à informação, contribuindo para uma estratégia mais eficaz de prevenção e controlo do cancro»
Para Elisabete Weiderpass, a estratégia seguida nas sessões do “Tratar o cancro por tu” de utilizar uma linguagem acessível «permite que todos compreendam os riscos, as opções de prevenção e os tratamentos disponíveis. Quando falamos sem medo, damos às pessoas ferramentas para agir, decidir e cuidar da sua saúde com autonomia».
Portugal tornou-se recentemente membro oficial da IARC, ramo da Organização Mundial da Saúde dedicado ao estudo de doenças oncológicas, e Elisabete Weiderpass faz questão de deixar uma mensagem de esperança e compromisso aos portugueses e a todos os participantes nas sessões do “Tratar o cancro por tu”: «A ciência está a avançar, os cuidados estão a melhorar, e juntos podemos fazer a diferença. A informação é poder, e iniciativas como esta são um passo importante para um futuro com menos sofrimento e mais prevenção».
A diretora da IARC faz ainda questão de sublinhar a importância dos rastreios para deteção precoce de cancro: «Permitem identificar riscos e atuar antes do desenvolvimento da doença, salvando vidas. Para reforçar a aceitação pública, é essencial investir em campanhas de comunicação claras, baseadas em evidência científica, que expliquem os benefícios – e os riscos – dos rastreios e combatam o medo e o estigma associados ao cancro».
Neste novo ciclo de sessões presenciais sobre literacia de cancro, que continuam a colocar os doentes no centro da discussão, junta-se como habitualmente o patologista e investigador Manuel Sobrinho Simões, diretor do Ipatimup e anfitrião desta iniciativa. Para o cientista, estas sessões são um contributo fundamental para inverter os números atuais que apontam para um crescimento de novos cancros: «A aposta no conhecimento das pessoas com doença neoplásica passa pela mudança do comportamento no sentido da prevenção e do diagnóstico precoce, sem abandonar a importância da complexidade no contexto da medicina personalizada».
Na edição de 2026 as temáticas serão: «O papel da hereditariedade: a importância da história familiar e os estudos genéticos» (Évora), «Ambiente, comportamento e cancro: compreender para prevenir» (Viana do Castelo), «Diagnóstico de cancro: da biópsia à decisão clínica» (Guimarães) e «Prevenção de cancro: principais fatores de risco» (Angra do Heroísmo).
