Uma nova vida ao desperdício

O Jardim Público, durante o Festival Marginal, recebeu quatro ilustradores que deram uma nova vida a materiais antigos que a Câmara de Viana tinha num armazém. Rui e Luísa Coelho, Vanda Balinha e Virgínia Brito foram os artistas que reutilizaram uma placa de xisto, os globos das lanternas da Avenida e ainda placas de madeira. 

Vanda Balinha afirmou que “nós vamos pegar em coisas que eram desperdício e dar uma nova vida. Vamos brincar e dar uso à nossa imaginação”. A placa de xisto de Vanda ganhou vida e representa a biodiversidade de todos os seres. “Quero passar a mensagem da diversidade de espécies. Aqui represento várias espécies de flores, algumas até encontrei aqui no jardim. Nesta placa as flores têm todas a sua comodidade, mas todas estão a coexistir. Representa a biodiversidade, a diferença”, disse a ilustradora. 

Virgínia Brito fez uma pintura a retratar um local e confessou que “a festa é um momento muito especial, e retratar um lugar numa zona tão bonita é uma das razões porque me dedico a pintar paisagens”. A ilustradora afirma: “sou pintora e tenho uma formação mais realista, faço figurativo, mas também muitas paisagens e aqui o objetivo é retratar o festival”.

Os irmãos, Rui e Luísa Coelho, responsáveis pelo projeto Histórias Viandantes, inspiraram-se num trabalho de Amadeu Costa e recriaram uma tradição que antigamente se fazia na Ribeira. “As pessoas acreditavam no poder mágico do azevinho e cada vez que mandavam fazer um barco, antes de este ser lançado à água devia ser benzido com azevinho. O azevinho era recolhido ao nascer do sol junto ao Convento S. Francisco. A mulher do pescador e as donas das redes realizavam um cortejo composto por nove mulheres, todas chamadas Marias e tinham que ser puras. Saiam a pé durante a noite até ao convento para ir buscar o azevinho e borrifavam com vinho verde. Traziam o azevinho para o pôr no barco e só depois estava pronto para ir para a água” explicou Rui. Juntamente com a irmã pegaram nesta tradição e usaram 10 bolas para recriar as mulheres. “O objetivo do projeto [Histórias Viandantes] sempre foi homenagear as tradições, mas também falar delas e não deixar que se esqueçam”, referia. 

Luísa revela que “usamos o improviso, estamos sem esboço. Vamos pitando as caras e esperamos que fique um trabalho bonito”. 

Promovido pela Câmara, o Marginal junta natureza, lazer e cultura e para os irmãos Coelho “é uma iniciativa de louvar”. “Estarmos aqui com outras artistas é ótimo. Abre portas a outras possibilidades, para que noutras edições as iniciativas cresçam ainda mais. E a mensagem da sustentabilidade é muito importante nos tempos que vivemos”, concluem. 

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