Não ajuizamos como tudo vai acabar, mas já sabemos que, por tempo suficiente, vamos pagar caro pelos erros grosseiros que outros cometem, com uma situação económico-financeira pior que a que tínhamos há bem pouco tempo. Isto sem contar com a destruição de espaços, a morte de pessoas, os ódios que se aprofundam, geradores de relacionamentos de rancores e de afastamento entre nações, a par de outros males.
Estamos a viver a política do faroeste, em que as divergências se resolvem com o recurso ao uso da arma; estamos perante a política da presunção, na base dos slogans tipo “vou destruir-vos”; vivemos o tempo em que se invocam os deuses, com desrespeito por estes, a pedir a bênção para vencer guerras, destruir povos e arrasar lugares de oração e de convívio; deparamos com países – apodados de democráticos – a decretar a pena de morte a desapossados de bens; confrontamo-nos com a barbárie em direto todos os dias e em todas as horas.
Abriu-se o caminho do quero, mando e posso, invertendo a lógica do direito e do respeito por valores. O mundo vive um dos seus piores momentos, por mais que nos alheemos da realidade, porque entendemos que também temos direito à nossa paz. Mas estamos perante um quadro em que, direta ou indiretamente, todos somos vítimas. Todas as guerras afetam todos, porque, no mínimo, tocam-nos a alma.
Depois, há outras variantes. Os Estados do universo, independentemente de muitas e variadas controvérsias, em maior ou menor dimensão, evoluíram e retiraram milhões de pessoas da miséria endémica, mas quase tudo foi conseguido com entendimentos entre gente civilizada, com aceitação de políticas de combate à pobreza extrema. Sim, porque a pobreza devia envergonhar-nos a todos. Não convence andarmos a bater com a mão no peito e a rezar a todos os Santos da Igreja, se não olharmos para o nosso semelhante como um igual que tem necessidades idênticas. E o pouco que foi conseguido corre o risco de regredir, porque os loucos teimam em recorrer ao uso do fuzil, de impor a sua espúria visão do mundo, do uso fácil do insulto e do atropelo ao direito.
Nunca a confiança num mundo melhor deve ser perdida. É preciso aprofundar o debate e combater os argumentos de quem acompanha esta deriva suicida. É necessário continuar a acreditar no Estado de Direito, motor do progresso. Perder a confiança é abrir caminho ao inimigo. E inimigos são todos os fautores dos conflitos a que a vamos assistindo.
Nota: entretanto chegou a notícia de um hipotético acordo de paz no Médio Oriente. A ver vamos: “gato escaldado da água fria tem medo”.
GFM