“A quarta parede”, da autoria de Rodrigo Bettencourt, integrada no projeto Outdoor’26, está exposta na rotunda do Cabedelo.
A obra apresenta-se como um espaço galerístico deliberadamente vazio e onde já só resta a cadeira dos vigilantes: a peça foi retirada, permanecendo apenas a marca da sua anterior presença. O que subsiste é o suporte — a parede branca — e um foco de luz que assinala, com precisão quase forense, o lugar onde algo esteve. Este dispositivo mínimo opera como índice de ausência, convertendo o espaço expositivo numa superfície de inscrição negativa, próxima à de uma folha em branco.
Neste contexto, a parede assume estatuto de quarta parede, não como limite entre representação e espectador, mas como plano que explicita a visibilidade; a sua “quebra” desloca-se para o campo autoral, insinuando a presença ausente de quem institui e retira a obra, tornando a subtração estrutural; o vazio afirma o espaço livre como condição de possibilidade, e o silêncio surge como regime perceptivo em que vazio e luz se tornam elementos centrais da composição.
Rodrigo Bettencourt nasceu em Lisboa, em 1969. Com formação em artes plásticas, multimédia e restauro, desenvolve trabalho sobretudo na fotografia, explorando contextos institucionais e museológicos. Paralelamente, exerce atividade como conservador-restaurador e docente.

