A Romaria d’Agonia estreia este domingo, 16 de agosto, às 16h, um novo momento dedicado à etnografia e à identidade de Viana do Castelo. “Domingar na Romaria” vai levar às ruas mais de 1.300 participantes, recuperando a memória dos domingos de outros tempos e valorizando uma das tipologias mais características do traje regional vianense: os Trajes de Domingar.
Vestido aos domingos e em ocasiões especiais, este era o traje escolhido para ir à missa, encontrar familiares e amigos ou deslocar-se ao mercado semanal de Viana do Castelo, que assumia também particular importância. Era ali que muitas mulheres das aldeias chegavam para vender aquilo que a terra e o seu trabalho davam: hortaliças, fruta, batatas, feijões, ovos, chouriças, queijo, manteiga e flores, mas também doces, panos de linho, tecidos riscados, mantas de farrapos e rendas.
É este o ambiente que o “Domingar na Romaria” pretende trazer ao presente. Flores, broas, regueifas e outros elementos ligados ao quotidiano de então juntam-se aos Trajes de Domingar, acompanhados por tocatas, pela banda de música, grupos de zés pereiras, e gigantones e cabeçudos, num desfile pensado para mostrar a cor, alegria e o espírito de encontro desses momentos.
Mais do que a estreia de um desfile, este momento é uma viagem à memória de Viana trajada. Queremos que este momento enalteça a união da comunidade, o encontro das pessoas e a partilha no arranque da Romaria d’Agonia. destaca Hermenegildo Viana, membro da VianaFestas e responsável pela organização deste desfile.
Os Trajes de Domingar femininos apresentam diferentes composições, com saias avergastadas ou às listras, com ou sem puxados, e exemplares executados em linho caseiro. As barras surgem tradicionalmente em tons de vermelho, preto, azul-marinho ou azulão. Pela sua riqueza e função social, situam-se entre os Trajes de Trabalho e os Trajes à Vianesa.
A ligação destes trajes à própria história da Romaria d’Agonia atravessa várias décadas.
Rosa Silva, conhecida como “Rosa Rabeca”, foi a primeira mordoma a surgir num cartaz da Romaria com um Traje de Domingar, em 1959. Seguiram-se representações em 1961, 1965, 1968 e 1969 e, já no século XXI, nos cartazes protagonizados por Bárbara Temporão, em 2016, Teresa Viana, em 2020, e Bruna Torre, em 2025.
Com este novo quadro, a Romaria d’Agonia pretende valorizar o património etnográfico, estimular o conhecimento sobre o traje e, sobretudo, garantir que estes saberes e memórias continuam a ser vividos e transmitidos às novas gerações.
O desfile parte da Praça Marques Júnior, segue pela Praça Eixo do Atlântico, Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, Avenida Conde da Carreira e Passeio das Mordomas, terminando na Praça da República.

