A Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) está a monitorizar a presença de gás radão em 35 unidades de saúde. A informação foi avançada no dia 28 de outubro, durante uma conferência pública do projeto europeu LeaRn4LIFE, financiado pelo programa LIFE e coordenado pela Agência Portuguesa do ambiente (APA).
O responsável pela aplicação do projeto na ULSAM explicou que “os dados não são o que estávamos à espera”. Francisco Sequeira informou que, contudo, ainda não é possível anunciar os dados, que ainda têm de ser analisados. “A ULSAM preocupou-se com o radão e estamos agora a terminar a campanha de verão para fazermos o ponto de situação do que temos”, disse, acrescentando que “em 2027 vamos ter de continuar a fazer esta medição com mais detetores em diferentes locais”.
Inês Simões, representante da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), falou da questão da obrigatoriedade legal das empresas monitorizarem a presença do gás radão, que é comum no Alto Minho devido à forte presença do granito. “Estima-se que a exposição ao radão esteja associada a cerca de 3% a 14% dos casos de cancro do pulmão a nível mundial”, salientou.
Leonel Nunes, professor e investigador da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC), defendeu a importância de sensibilizar a população para os riscos associados ao radão, sem promover alarmismos. “Aquilo que nós pretendemos essencialmente é chamar a atenção para um problema que ainda é um tema de nicho, muito pouco desenvolvido”, argumentou, acrescentando que “existem soluções quer para identificar o problema, quer para depois podermos avançar para a mitigação ou para soluções aplicáveis à construção nova”.
A ventilação é uma das principais medidas para reduzir a concentração de radão no interior dos edifícios, sendo esta a “solução mais aplicável neste momento”, dado que “permite ter resultados mais rápidos”, referiu Leonel Nunes.
António Curado, pró-reitor para a Sustentabilidade e Património da UNIPVC, frisou a importância de abordar o tema com rigor científico e de reforçar a sensibilização pública. “É fundamental trazer o tema do gás radão e da qualidade do ar interior para a discussão em ambiente académico. O radão é um gás radioativo natural e a segunda principal causa de cancro do pulmão a nível mundial, mas a discussão do tema deve fazer-se sem mitos, falsas verdades ou alarmismos, simplificando o assunto sem perder o rigor técnico-científico”, advogou.

