A boa (má) notícia da semana

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Por todo o lado se fala em segurança por tudo e por nada. Umas vezes porque as pessoas sentem necessidade dela, outras porque os políticos sentem necessidade dela para se afirmarem.

Seja como for, as sociedades necessitam de segurança, contudo ela é discutida de forma gratuita, induzindo a população à perceção deturpada da realidade.

Além disso, é do conhecimento geral e deve ser ressaltado, que Portugal é o sétimo país mais pacífico do mundo (dados de 2024), no que respeita à segurança das pessoas.

Estranhamente, ou não, os paladinos da necessidade de segurança contra os emigrantes, que nenhuma evidência os associa à criminalidade exclusiva, esquecem outros temas. Não clamam contra a insegurança das mulheres, crianças e idosos no contexto da violência doméstica; ou contra os crimes de ódio contra emigrantes e minorias, ou contra outro tipo mais subtil, como é a segurança rodoviária. Desta, pouco se fala. Somente em picos de mobilidade nas estradas portuguesas – Natal, Páscoa e férias, – como na notícia em epígrafe, há alarme.

De acordo com o presidente da ANSR (Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária), Portugal continua a ser um dos países da Europa com mais insegurança rodoviária. As estatísticas europeias apontam o número anual de 50 mortos por milhão de habitantes, o que coloca Portugal entre os piores países com mais vítimas mortais em 2023, longe dos 17 ou 20 dos países nórdicos.

Com o aumento da circulação rodoviária, aumentando o risco, houve em 2023 35 000 acidentes, com 468 mortos, aumentando em relação a 2022. As infrações rodoviárias aumentaram 10% e a criminalidade rodoviária, consubstanciada na condução sem habilitação para conduzir, também aumentou. A velocidade excessiva e o álcool continuam a ser causas relevantes dos acidentes rodoviários, referindo que o maior número de mortos é dentro das localidades.

Outras causas levam a estes resultados. O estado das estradas e de alguns veículos, a falta de transportes públicos, a atitude e a formação dos condutores, etc. Talvez, já que tanto se fala na disciplina de Cidadania nas Escolas, o tema Educação Rodoviária devesse ser mais aplicado nas práticas letivas. Traria certamente melhores notícias.

José Escaleira

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