XIII, Shahn – Ben Shahn (Lituânia, 1898 – EUA, 1969) – “Morte na Praia” (1945), Têmpora sobre Cartão

XIII, Shahn – Ben Shahn (Lituânia, 1898 – EUA, 1969) – “Morte na Praia” (1945), Têmpora sobre Cartão

Refugiado nascido entre refugiados, Shahn tinha oito anos quando, com seus pais, emigrou para Nova Iorque. Naturalizado americano, teve a infância característica das crianças dos guetos de migrantes nos princípios do séc. XX.

Na adolescência, trabalhava de dia como aprendiz numa litografia enquanto estudava no liceu em regime nocturno. Frequentou depois a Universidade de Nova Iorque (a “National Academy of Design” e o “City College”), e, já nos finais dos anos 20, viajou pela Europa, saciando a sua curiosidade pela obra dos grandes Mestres da Pintura e testemunhando os colossais esforços de Controle Mental organizado sobre as populações através da nascente Propaganda dos regimes ditatoriais, então em plena ascensão no Velho Continente.

Vagas de refugiados, de marginalizados e dissidentes continuavam a povoar, a impressionar indelevelmente a sua vida, a rodeá-lo no seu dia-a-dia. De tal forma que, durante toda a década de 30 (a mais produtiva e decisiva da sua carreira), eles seriam a sua razão de ser artista e de ser actuante, de se assumir como homem interventivo, sempre aspirando à Justiça Social como fonte de bem-estar e de felicidade.

De facto, usando uma impecável combinação técnica entre as formas realistas e abstractas, nunca ocultando nos temas o seu ser solidário para com as vítimas e usando e abusando das suas desenvolvidas capacidades expressiva, emotiva e até satírica, criou séries de trabalhos (sempre muito controversos) que o fizeram ascender à fama e à glória.

Alguns dos temas em destaque nestas famosas séries dos anos 30: os julgamentos dos anarquistas Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, do comunista Tom Mooney e, ainda, os variadíssimos “cilindrados” pela Grande Depressão e pela chamada Lei Seca…

É ainda na década de 30 – mais propriamente em 1939 – que assinará aqueles que viriam a ser considerados os seus melhores trabalhos, ou seja, “O Almoço de Seurat”, “Handball” e “Lote Vago”. 

Neste quadro de 1945, “Morte na Praia”, que é intenso de narrativa mas também fonte de anonimato – porque não é possível nele (nem desejável, sequer) identificar UMA vítima mas sim TODAS aquelas que o foram e, infelizmente, aquelas que serão as futuras vítimas; que é explosivo na sua humanidade sedenta de redenção, portanto, de esperança e de futuro; que é construído com o menor número de elementos (ou pistas) possível, dando prova de que a contenção e a simplicidade são sempre triunfantes numa obra de arte; que nos revela uma morte funcionalmente enigmática, embora evidentemente violenta, e a visão de um morto de mãos levadas ao rosto como último sinal de protecção, numa posição fetal, rosto esse que doravante valerá por mil rostos anónimos, rosto para sempre invisível de “alguém” que jaz numa poça de sangue derramado numa areia fria de uma qualquer praia, a cabeça empapada em sangue…neste quadro, dizia, a “imagem” que colhemos e nos levará triunfantemente à sua intrínseca “mensagem”, valerá, também ela, por mais de mil palavras…Vê-lo-ão (espero) e depois mo dirão.

N.R. – O Autor não segue as regras do novo Acordo Ortográfico. 

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