Eis aqui, impecável sob todos os aspectos, uma das mais geniais obras da Arte Abstracta dita “pura”. Pelas mãos de quem, quinze anos antes, havia criado a primeira “obra abstracta em toda a sua pureza” (“Sem título (primeira aquarela abstracta)”, 1910). Em “Swinging”, Kandinsky tomou nas suas mãos amadurecidas, experientes, a Gramática da Pintura e criou um universo à parte na História da Arte, um universo palpitante, dinâmico, sugestivo de muitas emoções e sensações, construído com linhas diversas e em colorações heterogéneas bem contrastadas e juntando-lhe figuras geométricas (“formas”) que, ou isolando-se no conjunto da composição ou interceptando-se e complementando-se, abrem espaços novos, ritmos novos, “realidades” novas.
Para que melhor possamos compreender esta obra será necessário conhecermos alguns factos precedentes à sua génese. Sabermos, por exemplo, que Wassily Kandinsky começou por estudar Direito na Universidade de Moscovo, estudos que abandonou quando decidiu mudar-se para a Alemanha, onde, na cidade de Munique, iniciou estudos de Pintura e fundou o movimento expressionista “Der Blaue Reiter” (“O Cavaleiro Azul”, título de um quadro de Kandinsky), com o amigo e pintor Franz Marc (V., p.f.). Que este movimento, mais que preocupações artísticas, tinha preocupações místicas e filosóficas de grande profundidade, um pouco ao contrário do outro movimento expressionista alemão, “Die Brücke” (“A Ponte”, ponte entre “a arte do passado e o futuro”). E que ao “Der Blaue Reiter” se associou e nele foi proeminente desde o início o também brilhante pintor August Macke (V., p.f.), que muito os influenciou. Tanto Marc como Macke morreram precocemente, ambos com vinte e poucos anos, no decurso da I Grande Guerra, deixando a Kandinsky o legado e a responsabilidade de prosseguir com as suas pesquisas.
E, em seguida, no intento de melhor compreendermos o brilhantismo deste “Swinging”, teremos de saber que Kandinsky, terminada a Grande Guerra, regressou à Rússia natal onde assinou alguns projectos artísticos mas que, desiludido com o regime, regressou à Alemanha onde se tornou um brilhante e influente professor na famosa Escola de Arte e Design de Weimar, a “Bauhaus”. Fundada pelo Arquitecto Walter Gropius em 1919, a “Bauhaus” baseava o seu ensino no princípio de que a Arte e o Design deviam fazer parte do dia-a-dia do cidadão comum. Além disso, na Escola, os artistas eram considerados artesãos e, como tal, as aulas decorriam em oficinas onde ceramistas, escultores, designers, arquitectos, tecelões e artistas plásticos se misturavam e interagiam, desenvolvendo um estilo muito simples, de linhas sintetizadas e geométricas.
Em Kandinsky, tal como em todos nós, a Arte e a Vida cobrem-nos como uma segunda pele, dando novos sentidos às nossas existências e catapultando os nossos sonhos em direcção ao Infinito e ao “mais puro” Abstracto…
N.R. – O Autor não segue as normas do novo Acordo Ortográfico.