A Câmara Municipal de Viana do Castelo promove, nos dias 20 e 21, na freguesia da Montaria, as II Jornadas da Montanha, evento que reúne especialistas, investigadores, entidades públicas e comunidade em torno do futuro do pastoreio extensivo nas montanhas do Alto Minho.
Subordinadas ao tema “O Nosso Chão: Pastagens e Pastores”, esta é uma iniciativa dedicada à valorização das pastagens serranas, ao papel do pastoreio extensivo na gestão da paisagem e à salvaguarda do património cultural e dos modos de vida tradicionais. Participação livre, limitada a 40 vagas.
Ao longo de dois dias, as Jornadas pretendem promover uma reflexão integrada sobre o pastoreio enquanto prática estruturante da paisagem serrana, reconhecendo o contributo dos pastores e criadores para a manutenção dos ecossistemas, para a prevenção dos incêndios rurais, para a valorização das raças autóctones e a continuidade da identidade cultural das comunidades de montanha.
A edição de 2026 assume particular significado por decorrer no contexto do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, proclamado pelas Nações Unidas, procurando alertar para a importância destes sistemas na conservação da biodiversidade, na sustentabilidade ambiental e socioeconómica dos territórios de montanha e na preservação das comunidades e dos saberes tradicionais.
O programa técnico e científico de sexta-feira, dia 20, tem início com a sessão de abertura, seguindo-se a conferência “Pastagens e pastoreio extensivo nas montanhas do Norte de Portugal”, por Duarte Marques, coordenador do projeto LIFE MARONESA.
O primeiro painel, dedicado às “Pastagens de montanha e pastoreio extensivo: gestão ecológica e da paisagem”, reúne contributos sobre a biodiversidade das pastagens da Serra de Arga, a experiência comunitária de gestão dos baldios de Pitões das Júnias e a articulação entre tradição e tecnologia na atividade pastoril.
Durante a tarde, o segundo painel, “Pastores, património cultural da montanha e sustentabilidade socioeconómica”, abordará a relação entre pastorícia e património alimentar, a paisagem agro-silvo-pastoril proto-histórica, as arquiteturas vernaculares associadas à transumância e a experiência de gestão comunitária dos baldios e dos cavalos selvagens na Serra do Xistral, na Galiza.
Um dos momentos centrais da iniciativa será a mesa-redonda “Pastoreio Extensivo nas Montanhas do Alto Minho: desafios e futuro”, que reunirá representantes da investigação científica, da criação de raças autóctones e da gestão territorial.
A programação integra igualmente uma componente artística e cultural, com a inauguração de duas exposições no Núcleo Museológico da Montaria: “Arte Têxtil – Materiais e Tradições da Serra de Arga”, de Maria Luísa Manso, e “Da Natureza à Arte – o imaginário agropastoril”, de João Rego.
O almoço-convívio, com produtos locais e uma oficina dedicada ao tradicional Caldo de Graúnhos, bem como a oficina “Sons da Montanha”, pelo projeto Zuca-Truca, reforçam a ligação às tradições e à participação da comunidade local.
No sábado, dia 21, as Jornadas prolongam-se com um programa de experiências na montanha, aberto à participação do público. Destacam-se as atividades equestres de participação gratuita: Batismo Equestre, das 10h às 12h, no Largo do Souto, Montaria, para público em geral, crianças e famílias.
A iniciativa contempla ainda o percurso interpretativo “Caminhos do Pastoreio”, que permitirá conhecer as pastagens seminaturais do planalto e maciço granítico da Serra de Arga, incluindo o geossítio Turfeiras das Chãs de Arga, explorando os processos ecológicos, os ciclos da vegetação, a gestão tradicional da montanha e os efeitos do abandono das práticas de pastoreio. Participação gratuita, limitada a 30 vagas.
