EDITORIAL – Um 2026 que não promete

Paradoxalmente, é difícil recordar um mundo tão desconexo como o presente. Depois da Segunda Guerra Mundial, para acabar com o flagelo das guerras, o mundo, a 24/10/1945, criou a Organização das Nações Unidas (ONU), mas, desde logo, com o direito de veto atribuído às maiores potências mundiais (EUA, URSS, Reino Unido, França e China), em defesa de interesses próprios. E começou mal, porque nenhuma decisão desta organização tem valor desde que o veto seja usado da parte de quem é dele detentor. 

Com o uso do veto, se analisarmos o histórico do funcionamento da ONU, facilmente concluímos que esta é de diminuta eficácia. Porém, deve reconhecer-se que, neste quadro, até hoje, foi evitada a tragédia de uma Terceira Guerra Mundial. Para tal, também contribuiu o estabelecimento de um mundo bipolar, com a URSS e aliados a Leste; e os Estados Unidos da América, e os países europeus, a Ocidente. 

É evidente que este ordenamento das grandes nações e a sua influência no mundo, não sendo uma solução perfeita, para além de conter guerras, particularmente nos países enquadrados nos dois blocos, permitiu, ainda, uma evolução das economias, com melhoria das condições de vida das pessoas. Contudo, este quadro está a desvirtuar-se de forma acentuada, com risco da criação de quatro grandes blocos no mundo: EUA, Rússia, China e Europa. Tudo isto a partir da loucura do presidente americano, que, quando eleito, era sabido que não merecia um mínimo de confiança no contexto internacional. Bastava levar em linha de conta o assalto ao Congresso do seu país, em janeiro de 2021, para não entregar o poder a quem em eleições livres o conquistou.

Com este quadro, com uma Europa medrosa e titubeante, entregue a fracos dirigentes, quem reina (ou julga reinar), e de acordo com interesses pessoais, a par de uma vaidade doentia, é Trump e a América, que ele entende que lhe pertence. Atentos e à espera da sua hora, obviamente, estão a Rússia e a China, com a Índia distanciada, mas calculista.

Depois de vermos os acontecimentos dos últimos dias, com não acatamento das leis reconhecidas universalmente, é razão para temer o pior. Resta-nos resistir até termos uma América com um presidente respeitador da ordem mundial e fiel a velhos princípios e acordos. Por outro lado, aguardar por melhores dirigentes no espaço em que nos enquadramos, para resolver os muitos problemas que desde há muito são visíveis. Nesta Europa de liberdade, se caímos na descrença, estamos sujeitos a avançar por caminhos ínvios. E isso é o pior que nos pode acontecer.

Bom ano, apesar de tudo.

GFM

Fundado a 15 de dezembro de 1855, tem como objetivo principal a defesa intransigente dos interesses e das reivindicações legítimas das populações, e do progresso económico, cultural e social da região onde se publica.

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