Para quem ainda não conhece suficientemente o PISA, pode dizer-se que se trata de um programa internacional criado para, de forma comparativa, fazer a avaliação de alunos a nível mundial. Foi desenvolvido pela OCDE, com o objetivo de avaliar se os estudantes de 15 anos – idade correspondente ao final da escolaridade obrigatória – possuem competências essenciais para o seu melhor enquadramento na sociedade e no mercado de trabalho. A avaliação – iniciada no ano 2000 – faz-se em cada três anos, para as áreas de Matemática, Leitura e Ciências, com uma delas a ser definida como o fator principal da prova. Nos exames é medida a capacidade dos jovens para aplicar o que aprenderam a problemas e situações complexas do mundo real, sendo as conclusões de relevante importância para os governos de cada país analisarem a eficácia dos seus sistemas de educação, permitindo-lhes reorganizar os seus objetivos de ensino.
Feita esta abordagem, observemos, então, o que vem acontecendo com o nosso país nesta matéria, em paralelo com os restantes, particularmente da OCDE. E, diga-se em abono da verdade, que não são brilhantes, dada a queda verificada nos resultados. De referir que vários países viram as pontuações médias cair nos períodos mais recentes, com destaque para alguns, como a Espanha, a França e a Alemanha. No que toca a Portugal, depois de uma relevante subida entre 2000 e 2015, acabamos agora de, praticamente, regressar aos resultados de 2006, não admirando as profundas críticas que vem sendo feitas aos nossos irregulares sistemas de ensino.
E, como é prática nas sociedades abertas, há críticas para todos os gostos, com dramatizações e os habituais argumentos da nossa “pobreza franciscana” e, por outro lado, a justificação de que o retrocesso toca a todos e que há poucas razões para choraminguices. É costume dizer-se que a virtude está no centro, considerando, por isso, haver razões para preocupações, mas que tudo pode ser resolvido com a adoção de medidas julgadas oportunas, sem esquecer o que foi feito para o nosso êxito nos anos em que tanto melhoramos.
Já aqui afirmamos várias vezes que a Educação em Portugal raramente teve a paz e a clarividência necessárias para responder bem às nossas reais necessidades, tendo em conta objetivos do carecido crescimento económico que nos catapulte para os lugares cimeiros nesta Europa de que fazemos parte. Contudo, infelizmente, neste como noutros importantes setores da nossa sociedade, devemos considerar que dificilmente conseguimos despir a camisola partidária e vestir a nacional. É pena. Verdadeiramente triste.