Vítor Coutinho dá continuidade ao negócio da família

Na mesma família há seis gerações, a ourivesaria Venâncio Sousa foi considerada pela autarquia vianense uma Loja Memória. O atual proprietário espera que as futuras gerações dêem continuidade ao negócio do ouro.

“Foi fundada pelos meus trisavós, Rosa Francisco e Luís Francisco Sousa. Depois passou ao meu bisavô, a seguir para o meu avô Hermenegildo e para a minha avó Mimi. Depois, os meus pais, eu e os meus filhos.  Já somos a sexta geração que está à frente da loja”, conta, orgulhoso, Vítor Coutinho. Adiantando a importância de “dar continuidade ao legado”, uma vez que já “não existem muitas casas com esta história”.

Com 150 anos, a Ourivesaria Venâncio mantém o traçado de outros tempos. “Só existem três/quatro lojas destas no país. Esta é única em Viana do Castelo. Nós mantemos a estrutura inalterada, porque mexer nisto era assassinar a loja”, conta Vítor Coutinho, que preserva as pinturas dos trisavós e uma fotografia da avó Mimi.

 Apesar dos momentos “difíceis”, Vítor Coutinho elogia os clientes, que são o ouro do espaço. “Atravessamos momentos muito graves e difíceis como um assalto, em 1993 ,e tivemos de recuperar. Fica a satisfação de manter o trajeto familiar e vamo-nos aguentando graças aos nossos clientes. Eles é que são o ouro da ourivesaria e são a verdadeira alma do espaço”. 

“Para nós, é uma honra ser Loja Memória e um privilégio ser distinguido com este selo. Também tivemos um diploma que nos certificou como Instituição de Mérito. É um reconhecimento e faço votos para que outras instituições possam chegar a estes patamares”, salienta o atual responsável. 

Vítor Coutinho dá conta, ainda, que continuam a ter marca de fabricante, uma vez que as anteriores gerações criavam as próprias peças. “O meu avô ainda tinha uma forja na Praça da Erva. Eu lembro-me de ser pequeno e vê-lo a trabalhar”, diz, lamentando que atualmente não haja muitos vianenses a criar peças em ouro. Na ourivesaria mantém uma máquina antiga, que fazia o fio de ouro. “Era uma peça que estava na forja do meu avô. Tem cerca de 180 anos. Conseguimos preservar esta e outras peças e faz parte da história da família e do negócio”.

O empresário reconhece a falta de um Museu do Ouro na cidade. “As Contas de Viana não são feitas aqui, mas fomos nós que as tornamos famosas”, refere. Acredita que todos os ourives locais cederiam uma peça para criar um espaço visitavel. “O meu colega Dr.º Freitas, já falecido, fez muito pela ourivesaria tradicional, não só em Viana, mas tanto nacional como internacionalmente e merece toda a consideração. Todos os ourives de Viana do Castelo devem-lhe muito. Tem de haver boa vontade e as pessoas devem andar com as coisas para a frente. É importante preservar as memórias. Se quisessem fazer um Museu do Ouro aqui em Viana não tenho dúvidas de que os ourives contribuíam com uma peça para este espaço. Todos juntos, de certeza, que faríamos um Museu top”.  

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