Vianenses percorrem países da América Latina

O objetivo é percorrer durante seis meses alguns países da América Latina. Teresa Osório e Rui Coelho decidiram concorrer ao projeto “Emunicipa-te” e aliar dois interesses, as viagens e a escrita. 

Sob o manto do Cuentame Quilómetros já estão em viagem desde o último dia de 2022.

“Havia uma grande vontade de mudança nas nossas vidas”, contam os namorados, de 28 e 30 anos de idade. Acrescentando que quando souberam da bolsa “Emunicipa-te” viram ali uma oportunidade de “agitar as águas”. Com este projeto cumpriram algo que já queriam fazer há algum tempo. “Já falávamos em fazer uma viagem grande há algum tempo e o momento surgiu. Com o Cuéntame Quilómetros quisemos trazer à viagem um pouco daquilo que mais gostamos: histórias. Entre livros e pessoas sabíamos que, ao longo de seis meses, haveríamos de encontrar coisas que nos tocassem e inspirassem. Claro que é sempre um salto de fé assumir que se vai escrever ou falar sobre alguma coisa, mas não nos enganamos”, salientam.

A viajar há dois meses e meio, o percurso já passou pela Colômbia, onde muitas vezes fizeram voluntariado em troca de alojamento. No início de março chegaram ao México, onde querem ficar até maio e nesse mês seguir para o Equador.

Os dois jovens vianenses acreditam que no final “não serão capazes de escolher um país favorito”. Contudo, garantem que a Colômbia os “deslumbrou” pela “diversidade natural, a simpatia e disponibilidade das pessoas. Fomos sempre bem recebidos e acolhidos, com uma alegria muito tropical. E teve um encanto especial viajar à boleia de livros de autores que nos deslumbram desde sempre, como o Gabriel Garcia Márquez, e de outros que fomos conhecendo entre acaso e conselhos de algumas pessoas”.

“Sensação de liberdade”

Apesar do desafio de durante seis meses não voltar a Viana, terra natal dos dois, Teresa Osório e Rui Coelho falam da “sensação de liberdade muito prazerosa” que é  “o largar tudo”. 

“Às vezes é fácil esquecer que a vida pode ser aquilo que nós bem quisermos e não uma ideia formatada de trabalho ou segurança. Serve também de exercício para perceber o que tem estado a mais nas nossas vidas e o que tem faltado. O impacto de uma viagem é sempre difícil de definir, mas é impossível ficar indiferente ao tanto que se vive enquanto acontece. Os dias parecem mais cheios, com mais significado e isso é algo mágico”, referem.

À questão do que sentem mais falta, sem ser família e amigos, os dois vianenses escolhem a “sensação de “casa”. Aquele cantinho onde nos abrigamos em dias menos bons (que também os há enquanto se viaja). Aqui somos a casa um do outro, sempre, e isso também é um exercício bonito. A juntar às saudades também um belo arroz de pato”, dizem.

Os relatos de viagem estão a ser partilhados nas redes sociais do projeto e no blog com o mesmo nome. 

Teresa Osório e Rui Coelho enaltecem os prémios da Gap Year e aconselham os jovens a participar. “É uma oportunidade fantástica para se fazer uma série daquelas coisas que estamos sempre a guardar em listas e a empurrar com a barriga para esse dia que parece nunca chegar. Para além disso, o acompanhamento que a família da Gap Year faz é maravilhoso. Há uma comunidade à volta destas bolsas, toda ela composta por pessoas que viajam, que traz mais riqueza à experiência”.

Sem planos para o final da viagem, Teresa Osório salienta que “o Rui tem de trabalhar durante os próximos seis meses por causa da bolsa de criação literária que recebeu. E também para digerirmos o tanto que vamos levar daqui. Depois disso, quem sabe? Não somos muito bons a fazer planos, mas de certeza que vamos parar a algum sítio melhor”.  

Item adicionado ao carrinho.
0 itens - 0.00

Assine o “A Aurora do Lima”, o jornal mais antigo de Portugal Continental, por apenas 20€/ano!

Há 169 anos que o “A Aurora do Lima” faz parte da história económica e social do Alto Minho, com um impacto especial em Viana do Castelo.

Garanta já a sua assinatura e ajude-nos a manter viva esta tradição centenária!