Os resultados da monitorização do gás radão realizada nos edifícios da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) vão ser conhecidos a 28 de outubro, numa sessão técnica promovida na Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC). A iniciativa terá também uma componente dirigida à população, com a oferta gratuita de detetores passivos de gás radão pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), permitindo aos cidadãos avaliar a presença deste gás nas suas habitações. O encontro, que decorre no Auditório Prof. Lima de Carvalho, em Viana do Castelo, reúne especialistas da UNIPVC, APA e ULSAM para abordar os riscos da exposição, os procedimentos de monitorização e as soluções de mitigação.
A presença de radão no interior dos edifícios não pode ser detetada pelo cheiro, pela cor ou por qualquer outro sinal percetível. Apesar de ser um gás radioativo de origem natural, a sua acumulação em espaços fechados pode representar um risco para a saúde, sobretudo em situações de exposição prolongada a concentrações elevadas.
A monitorização permite conhecer os níveis de concentração e identificar situações que possam exigir medidas de prevenção ou intervenção. É precisamente essa relação entre medição, avaliação do risco e soluções de mitigação que estará em discussão no encontro, com particular atenção à experiência desenvolvida pela ULSAM e à sensibilização dos cidadãos para a importância de conhecerem as condições dos espaços que utilizam.
ULSAM revela resultados da monitorização realizada nos seus edifícios
Um dos principais destaques do programa será a apresentação dos resultados do projeto de monitorização do gás radão desenvolvido pela Unidade Local de Saúde do Alto Minho. Francisco Sequeira, da ULSAM, dará a conhecer o trabalho realizado nos edifícios da instituição e os resultados obtidos nas medições, permitindo perceber como decorreu a avaliação da presença deste gás em espaços utilizados na prestação de cuidados de saúde.
A sessão contará também com uma intervenção de Ariana Lopes, da ULSAM, dedicada aos riscos para a saúde dos profissionais decorrentes da exposição ao gás radão, reforçando a dimensão da saúde ocupacional e da prevenção em contexto de trabalho.
APA distribui gratuitamente detetores de radão à população
A partir das 17h00, a população poderá participar numa sessão pública em que a Agência Portuguesa do Ambiente vai distribuir gratuitamente detetores passivos de gás radão. A iniciativa decorre após a sessão técnica e pretende incentivar os cidadãos a monitorizar a presença deste gás nas suas habitações.
Estes dispositivos permitem medir a concentração do gás no interior dos edifícios, constituindo um instrumento importante para conhecer os níveis de exposição e identificar situações que possam justificar uma avaliação mais aprofundada ou a adoção de medidas de mitigação.
A sessão pública pretende, por isso, aproximar a informação científica da população e incentivar uma atitude preventiva perante um risco que, apesar de pouco visível, pode ter consequências para a saúde.
Geologia e características dos edifícios influenciam o risco
A necessidade de monitorização não é igual em todo o território nem em todos os edifícios.
António Curado, pró-reitor para a Sustentabilidade e Património da UNIPVC, explica que a APA disponibiliza cartografia de suscetibilidade ao radão ao nível da freguesia. O risco está relacionado com a geologia local, sendo mais elevado em áreas com solos ricos em urânio e rádio, prevalentes nas regiões Norte e Centro do país.
As características e o estado de conservação dos edifícios influenciam também a acumulação do gás. Espaços em contacto direto com o solo, nomeadamente caves e subcaves, merecem particular atenção, sobretudo quando são utilizados como locais de trabalho permanentes e apresentam condições de ventilação insuficientes.
Para António Curado, importa promover o conhecimento sobre o tema sem criar alarmismos. “É fundamental trazer o tema do gás radão e da qualidade do ar interior para a discussão em ambiente académico. O radão é um gás radioativo natural e a segunda principal causa de cancro do pulmão a nível mundial, mas a discussão do tema deve fazer-se sem mitos, falsas verdades ou alarmismos, simplificando o assunto sem perder o rigor técnico-científico”, salienta.
Quando a monitorização identifica valores que exigem intervenção, podem ser aplicadas medidas de mitigação tanto em novas construções como em edifícios já existentes. Estas soluções incluem intervenções na ventilação e nas diferenças de pressão, a utilização de barreiras físicas, a selagem de pontos de entrada do gás e medidas associadas à gestão dos edifícios.
“As soluções técnicas para a mitigação do gás radão em edifícios são altamente eficazes e é totalmente possível e viável atuar em edifícios já construídos”, explica António Curado, que será responsável pela apresentação dedicada à mitigação do gás radão nos edifícios.
Especialistas da APA, ULSAM e UNIPVC abordam riscos, legislação e soluções
A sessão técnica realiza-se no dia 28 de outubro, no Auditório Prof. Lima de Carvalho, em Viana do Castelo, e tem início às 13h30. O programa contempla intervenções sobre o enquadramento legal do radão, os riscos para a saúde dos profissionais, os resultados da monitorização realizada pela ULSAM e as soluções de mitigação nos edifícios.
A iniciativa dirige-se particularmente a profissionais das áreas da saúde, segurança no trabalho e construção, entre outros públicos interessados na temática.
A participação na sessão técnica é gratuita, mediante inscrição obrigatória.
Projeto europeu promove conhecimento sobre o radão
A iniciativa realiza-se no âmbito do projeto europeu LeaRn4LIFE, financiado pelo Programa LIFE e coordenado pela Agência Portuguesa do Ambiente.
O projeto tem como objetivo promover a qualificação técnica e a sensibilização pública para a prevenção e redução da exposição ao gás radão, contribuindo para uma maior compreensão dos riscos associados à sua presença nos edifícios e das medidas disponíveis para os minimizar.

