A problemática da emigração qualificada

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Daniel Bastos

Segundo dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), o ano de 2017 assinalou em Portugal uma diminuição do fluxo emigratório, expressa na saída de 31 mil e 753 portugueses que escolheram o estrangeiro para alcançar uma vida melhor, menos 17% do que no ano transato, período em que saíram 38 mil e 272.
Paralelamente, as estatísticas oficiais apontam que no mesmo ano registou-se um aumento do fluxo imigratório, contabilizado na entrada de 36 mil e 639 cidadãos estrangeiros que adotaram o território nacional como uma nova etapa das suas vidas, mais 18% do que no ano anterior, época em que entraram 43 mil e 353.
A informação veiculada pelo INE revela deste modo que ao longo dos últimos anos, após recuperação de uma das mais graves crises do país e consequente incremento do desempenho socioeconómico, foi possível no ano de 2017 obter um saldo migratório positivo, invertendo a trajetória de declínio verificada desde o início da década de 2010.

Numa fase da vida coletiva nacional em que se auguram colossais desafios demográficos, ainda no mês passado o Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat), através do documento Ageing Europe 2019, indica que dentro de três décadas cerca de metade da população portuguesa terá 55 anos ou mais, a manutenção deste saldo migratório positivo constitui uma condição “sine qua non” para a sustentabilidade do país.

No entanto, os dados recentes do INE revelam que a manutenção deste salto migratório positivo está longe de ser um dado adquirido, porque além do mesmo ter que ser complementado com o crescimento da taxa de natalidade, que continua a ser das mais baixas da União Europeia, a emigração qualificada continua a engrossar o fluxo migratório nacional.

Nesse sentido, enquanto o país continuar envolto num inverno demográfico, e a assistir à “fuga de cérebros”, ou seja, à saída de emigrantes altamente qualificados, nas palavras abalizadas do Professor catedrático da Universidade de Coimbra, Rui Machado Gomes, “um dos fenómenos mais controversos da sociedade portuguesa contemporânea”, e não sendo o mesmo compensado pela entrada de pessoas com qualificações equivalentes, a competitividade, o progresso, a sustentabilidade e o futuro de Portugal continuarão perturbantes.

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