Crónica memorial…

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Atenta ao andar do calendário do tempo, nesta quadra, no passado, focava-se o anunciar dos encontros anuais dos antigos alunos da Escola Industrial e Comercial Nun’ Álvares e da Escola Industrial e Comercial de Viana do Castelo, face à extinção da primeira, mas em datas diferentes, que depois com a movimentação política desenvolvida operou-se a alteração nominal e até a mudança de local. Esse novo estabelecimento de ensino implantado em diferente artéria citadina não obstante mostrar agradável plano urbanístico deixou, para mim, de possuir inclinação sentimental. É aprazível e dignificante recordar esse período, no que ele encerra de bom e de menos bom, visto fazer parte da história dessa época. Para as gentes da minha idade que tiveram o privilégio de pertencerem às duas Escolas, já decorreram mais de oito décadas, mas a vivência dessas alturas permanecerá inalterável, de certeza, na memória de todos. Como tudo está tão longe e tão perto! Esses pedaços da meninice sobrepõem-se, sempre, nos caminhos da vida.

Narrar o que decorreu nesses anos em tom nostálgico e lamuriante se­ria, em simultâneo, fácil, mas enfadonho e, ainda, redundante, no con­texto dos cambiantes que o mundo encerra. Há que seguir a rota de desti­no no que ele contém de novo, actual, palpitante, vivo, saudável, sem todavia esquecer o que se passou pelas bandas do jardim D. Fernando, onde se situa a inesquecível “ferradura”, em granito, local de muitas reflexões, alegrias e tristezas. As dificuldades eram grandes. Os sacrifícios tremendos. A vontade de vencer, para a maioria, sobrepunha-se a todos esses escolhos.

Que é feito dos mestres, dos contínuos, auxiliares e outros pessoal que nesse tempo trabalhavam para dignificar o ensino?… Onde estamos todos nós – os alunos – que por lá andávamos cantando, rindo, chorando, estudando e a fazer, alguma vezes, “gazetas” às aulas?… Espalhados por esse mundo fora, pobres, remediados, ricos, ou no Além, nas mãos de Deus.

Queria recordar, nominalmente, todos os rapazes e raparigas daquele tempo. Será impossível! Aqui fica a referência global no que ele contém de saudade, da vivência e do saber estar na vida, porque é um mérito vivê-la, ao aproveitar-se tudo o que ela dispõe de salutar para o espírito e conservação física e intelectual da pessoa. É como valsar nos braços de uma encantadora mulher! Arquivo no computador da memória o prazer de ter admirado as bonitas e juvenis colegas dessas duas Escolas, porque tive a satisfação de as frequentar, destacando, nessa visão, os cantares, os jornais falados, os passeios escolares e as excursões, permanecendo, tudo, enquanto for vivo, como a doce recordação de um passado distante. Para mim, serão, eternamente, jovens e belas! Assim como a Escola e suas áreas limítrofes sofreram mutações, também nós, ao correr a temporada da existência fomos apanhados por todas as variadíssimas coordenadas do destino. Uns para melhor e outros talvez para pior. Felicidade, onde está?… Palavra subjectiva e diferenciada de ser para ser.

Sara Mota

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