Análise à vida da Santa Casa da Misericórdia de Viana

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Alfredo Faria Araújo

Uma Misericórdia é uma instituição que, logo à partida, subentende-se ser rica em solidariedade e humanismo. E nunca como nos tempos que correm essas condições são tão essenciais para resolver os problemas com que no dia a dia se vai deparando. As carências sociais são imensas. E não só sociais, mas de toda uma gama de necessidades inerentes ao ser humano. As Misericórdias cuidam dos mais carenciados. As Mesas duma Santa Casa gerem estes problemas e, em especial, os de solução mais difícil. 

Em rigor, não podemos analisar o passado, o que fizeram ou não, as Mesas antecedentes, nem é esse o objetivo, por desconhecimento praticamente total. Vejamos e analisemos o trabalho das duas últimas Mesas por serem do nosso conhecimento. Salvo melhor opinião, entendemos que os candidatos a uma Santa Casa da Misericórdia devem possuir um mínimo de espírito caritativo, não só esmolar, mas, sobretudo, de entrega ou dádiva de um pouco de si próprio aos outros. A natureza dos trabalhos necessários a uma Mesa Administrativa exige aptidão e conhecimento de caráter profissional. Já não basta a boa vontade de pessoas com nobres sentimentos, visto que as Mesas funcionam, exclusivamente, com pessoas voluntárias e sem qualquer contrapartida. Afigura-se-nos, assim, que os candidatos devem ser escolhidos a dedo e que, ao menos, possuam razoável formação académica para regular desempenho. Já não chega aquela vontade de bem-fazer. E, em certas áreas, precisam mesmo de algum suporte profissional. Parece-nos que o suporte mais desejável e necessário é nos setores jurídico e de engenharia civil.

Hoje em dia, quer homem quer mulher, trabalham fora de casa até perto dos 70 anos, mas os afazeres continuam pela vida fora devido, normalmente, à existência de filhos e às próprias lides caseiras e, quantas vezes, de todo o tipo de outras tarefas. Não é só a direção, os problemas estendem-se, também, aos restantes corpos sociais, embora estes com menor atividade. Não é justo que não se dirija uma palavra de muito apreço aos colaboradores que a Santa Casa possui, que trabalham com dedicação, quer na sede da Misericórdia quer nas diferentes valências, muito deles com cursos superiores. Nas duas Mesas Administrativas que servimos, e continuamos a servir, há o grato privilégio de as sentir coesas e trabalhadoras, servidas por excelentes e competentes colegas, que muito nos apraz registar. Realizaram e continuam a realizar trabalho muito meritório e até, recentemente, atingiram o objetivo há muitos anos procurado, que foi ter dado destino ao hospital da Misericórdia, já com novo Provedor. Outra obra realizada neste período, foi a recuperação do Retábulo-Mor da Igreja da Misericórdia. Neste momento, encontram-se em plena recuperação os altares laterais e colaterais da mesma Igreja.

Estes são os trabalhos mais visíveis, mas outros não menos importantes, como a recuperação do património desgastado pelo uso e pela idade, merecem menção. De destacar, ainda, a dedicação e carinho reservado aos petizes das nossas creches e dos jardins de infância, bem como o trabalho convenientemente apreciado nos serviços de Apoio ao Domicílio e a Lavandaria, com funcionamento a preceito. O trabalho nas cozinhas é muito sensível, por nem todos gostarem de certos produtos, mas registe-se a boa vontade de bem servir, tendo em conta que nem sempre tudo nos corre como queremos.

O serviço cuidado com o maior esmero foi, sem dúvida, o combate pandémico (covid-19). Do topo hierárquico ao trabalhador mais modesto, foram dados todos os meios necessários, mas as funcionárias, especialmente dos lares, foram inexcedíveis no zelo e dedicação, trabalhando de dia e de noite, indo a casa espaçadamente, bem como o pessoal médico e de enfermagem. As raríssimas mortes que ocorreram, traduz bem o seu trabalho, quando no país morria nos lares um número muito elevado de utentes. Muito se deve à Provedora Dra. Luísa Vaz, que sempre dizia “se é preciso dinheiro, gaste-se… primeiro as pessoas, depois o dinheiro”. É a melhor homenagem que lhe podemos prestar. Também, neste período, desapareceram dos vivos, prematuramente, aliás como a nossa Provedora, os nossos colaboradores, Senhores Luís Laginha e Jaime Barros, que com muita saudade aqui os recordamos.

A terminar, refira-se que os assuntos entre Mesa Administrativa e as valências não devem aqui ser aflorados. Correto é apenas referir a execução dos serviços que, na generalidade, são suficientes, logo também  satisfatórios.

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