As contas certas

Gonçalo Fagundes Meira
Gonçalo Fagundes Meira

Não se torna fácil a vida para os comentadores (políticos ou não), em especial quando estes têm que fazer análises de caráter económico. A economia está sujeita a contingências tão diversas, particularmente no plano internacional, que o que hoje pode ser considerado aceitável, amanhã pode estar fora de contexto. Por sorte, para quem opina, acontece que pouca gente está atenta ao que se vai dizendo, já que as preocupações de quem tem salários espremidos (e são muitos) não deixam tempo para que se preste suficiente atenção a comentários sobre esta matéria.

Só quem vai estando concentrado é que se apercebe das muitas contradições em que os comentadores caem. Presentemente, temos o caso concreto das contas certas, que para uns são fundamentais e para outros são um preciosismo de pouco sentido, particularmente para um país pouco desenvolvido como é o nosso. E o paradoxo vai ao ponto de vermos gente que anda há anos a defender que o Estado não investe e mantém a economia estagnada, afirmando agora ser bom que Portugal se apresente como guardião das contas equilibradas, porque, entre outras razões, dá confiança aos mercados, mantendo os juros em níveis satisfatórios em relação à divida que temos, particularmente a externa.

Costuma dizer-se que é no meio que está a virtude e parece que, neste caso, também assim é. Salazar foi o governante que mais apostou em ter contas certas, ao ponto de juntar reservas de ouros invejáveis; no entanto, boa parte dos portugueses ainda se lembra da nação subdesenvolvida que éramos, onde o essencial escasseava e a pobreza campeava.

Correto, e disso pensamos ninguém ter dúvidas, é ter equilíbrio suficiente entre o que criamos e o que gastámos, mas com o país a ser detentor de riqueza suficiente para dar qualidade de vida mínima a todos os cidadãos. Porém, ainda estamos longe desse patamar. Já várias vezes aqui se disse que, infelizmente, apesar do muito dinheiro recebido da União Europeia com o objetivo de nos desenvolvermos, continuamos desalinhados em relação aos nossos parceiros. Conclusão: contas equilibradas sim, mas com o país a crescer, ainda melhor que os outros. Será difícil? Não há situações fáceis e muito menos acarinhando o derrotismo, e a falta de unidade à volta de um projeto que se queira vencedor.

                    GFM

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