Como pão para a boca

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Estava eu numa franca e amena conversa sobre assuntos importantes com a minha amiga Céu Valença, grande defensora da causa solidária na luta contra o cancro, quando, no decorrer dessa respeitável cavaqueira, surgiu o  seu convite para que eu contribuísse com um texto de minha autoria, por forma a sensibilizar as pessoas a participar numa campanha de recolha de assinaturas; um abaixo-assinado, que se encontra em curso, mas por opção, com recolha de assinaturas presenciais, dado que esta é uma atitude que requer de nós a consciencialização para o assunto em causa, que se pretende bem refletido. Não se trata de postar um like num fait-divers ou coisa que o valha. A saúde não é um brinquedo, isso já todos sabemos, mas continua muita gente a pensar que há maleitas que só acontecem aos outros. 

Na doença também tem de haver qualidade de vida, com tratamentos adequados e que, de preferência, não obriguem os visados(as) a empreender viagens que são um autêntico périplo, para aqueles(as) que infelizmente têm de se deslocar para centros hospitalares distantes da sua morada. Este assunto, longe de ser  corriqueiro, também não se semelha a uma raspadinha da sorte. É preciso lutar pelos direitos que nos assistem e investir socialmente, como cidadãos pensantes e responsáveis.

 Pretende-se uma reivindicação forte, quiçá contundente para que o objetivo perspetivado seja atingido. Dirão vocês… qual é então esse alvo, esse propósito? 

É sabido que no Centro Hospitalar do Alto Minho (CHAM) já existe um serviço de quimioterapia, com um funcionamento e atendimento de qualidade. Pois, dirão vocês…e para quando, um serviço de radioterapia?  Pois aqui está o busílis da questão:

O hospital de Viana do Castelo é o centro hospitalar, da capital do distrito; como tal  recebe doentes de todos os 10 concelhos do Alto Minho. É pois de inteira justiça, que nele seja instalada uma unidade de radioterapia, evitando que os doentes oncológicos da região Alto-minhota tenham que sofrer a triplicar. Sofrem por estar doentes, sofrem de véspera o stress, o incómodo e angústia das viagens e os efeitos do tratamento que pode demorar até menos de 5m, mas são obrigados a esperar por outros com tratamentos mais demorados, para regressarem na mesma ambulância.

Imaginai um idoso septuagenário, doente oncológico, a residir em Vila Nova de Cerveira, que para fazer tratamento no novo hospital de Braga, sito numa ladeira, viaja de comboio e faz transbordo em Nine. Chegado a Braga, apanha o  autocarro que não sobe até à unidade hospitalar, um percurso feito a pé que volta a repetir-se no final do tratamento.

É por tudo isto, e por saber que cada um de nós já sentiu na própria pele ou na pele de familiares, amigos, vizinhos…esta peregrinação na procura de um alívio para a dor física que lhes maltrata a alma, que devemos interiorizar a necessidade de reivindicar um serviço de radiologia para o CHAM.

Hoje por eles!  Amanhã por nós!

Lúcia Ribeiro

P. F. Assinem a petição em curso, pela saúde de todos! 

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