“Crónica das Imagens do Viver”

Sidónio Ferreira Crespo
Sidónio Ferreira Crespo

No calendário do viver avistamos o Verão! E a estação do ano que nos vem trazer o bálsamo sublime do bom tempo. As planícies ganham diferentes tonalidades a mostrarem nova vida com o encanto das flores e os variados frutos que engrinaldam e perfumam o admirável dom da natureza. O ar livre espera por nós, num desdobramento de maravilhas, através duma sinfonia de cores debaixo do azul acolhedor da abóboda celeste. O florido dos jardins públicos da nossa cidade apresentam uma decoração de semblantes matizados, dando uma aparência de alegria ao ambiente que os rodeia, indicando que o Verão será, sempre, para prosseguir no universo da vivência humana.

As praias movimentam-se…A ponte metálica conhecida pela ponte “Eiffel”, ao atravessar o lendário rio Lima, leva-nos a várias direções e une as margens entre Viana e Darque. Esta ponte, segundo os documentos da época, abriu à circulação no ano de 1878. Veio substituir a longa ponte de madeira a funcionar desde 1820, que acabou com os barcos de passagem que sulcavam aquelas águas desde tempos imemoriais. Manteve-se operacional durante longo período, mas submetida a uma contínua vigilância e conservação. A publicação Tesouros Artísticos de Portugal, ano de 1976, a f1s. 571, aborda as colunas comemorativas da construção da ponte de madeira, junto ao rio, que …”ostentam inscrições em latim enquadradas por cercaduras”.

A “ponte Eiffel” é um dos símbolos ex-libris de Viana do Castelo. Ao atravessá-la, de um dos lados, antevemos a envolvência da praia de Cabedelo com o seu vasto areal a ser acariciado pelas ondas oceânicas, aliado aos parques repousantes que nos seus convidativos recintos recebem os campistas a sentirem-se protegidos pela sombra benéfica do pinheiral. Neste cenário paisagístico avistamos uma ampla mancha policrómica de edifícios apoiados por acolhedores restaurantes. Do lado da cidade, a Marina embelezada pelo Jardim público, na caminhada até à doca com o seu porto de mar a proteger o navio Gil Eannes, seguindo-se o Campo do Castelo vulgo Campo da Agonia e a Relíquia do Castelo de S. Tiago da Barra, juntamente com a Igreja e o farol orientador da navegação. Mostra-nos, também, o rio Lima, sem pressa, a desaguar no oceano, ao lado dos Estaleiros Navais. Aparece, depois, a Praia Norte, a fazer ver a beleza dos seus rochedos e o cheiro à maresia consubstanciado pelo sargaço, na rota da Avenida do Atlântico, a indicar seus núcleos de estudo, em anexo com as áreas industriais e de serviços, num vasto conjunto cativante de hotelaria. Termina nas ruínas do Castelo Velho, antigo Porto da Vinha. Do outro lado, da ponte, ao perto, a lembrar a praça de touros, na Argaçosa, que foi demolida para dar lugar ao novo projecto denominado Praça de Viana e contestado, judicialmente, pelo “Protoiro”. Faz fronteira com as antigas Azenhas do D. Prior, fecundadas pelo sussurrante ribeiro da Papanata e a praia fluvial na serenidade bucólica do Lima, na vizinhança do Parque Ecológico. Ao navegar nas águas límpidas e azuladas do rio, que na altura apropriada presenteia-nos com as afamadas lampreias, que se transformam numa delícia gastronómica, somos transportados até ao Barco do Porto, onde se inicia, verdadeiramente, a pesca em água doce, continuando, até Lanheses, dentro do nosso território, mas sempre engalanado com coloridas paisagens e atravessado por mais duas pontes construídas na vigência do granito e do cimento.

Nota: – Esta crónica, por vontade do autor, não segue a regra do novo acordo ortográfico.                                                                                           

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