Do ambiente ao futebol

Gonçalo Fagundes Meira
Gonçalo Fagundes Meira

No Egipto, entre os dias 6 e 18 de novembro de 2022, realizou-se mais uma conferência de países com o objetivo de tratar melhor o ambiente. Como tínhamos afirmado, neste conclave aconteceria muito de velho e pouco de novo. Não faltaram os discursos inflamados, a começar no secretário geral da ONU e a acabar nos países pobres, que são convidados a não poluir, mesmo que obrigados a morrer de fome. De boas intenções também falaram os países ricos, os grandes poluidores, que sempre se têm proposto a poluir menos, mas que não abdicam de manter a vida fausta que não querem reconhecer aos pobres.

Todos se dizem amigos do ambiente, particularmente os que mais poluem, mas cada um, sentado, à espera que seja o outro a poluir menos; cada um a não querer abrir mão de algum conforto, mesmo que temporariamente, para fazer deste um planeta mais sofrível, que dê alguma esperança a quem está a nascer ou a quem ainda está para vir. O debate esteve vivo e o protesto foi constante, particularmente da parte de quem está a sofrer na pele o aquecimento ambiental; caso do Paquistão, com um terço do país submerso e 33 milhões de pessoas afetadas. Por fim, lá se arrancou a ferros a constituição de um Fundo de Perdas e Danos (FPD), de socorro aos mais débeis quando atingidos por catástrofes, tendo como causa as alterações climáticas. Se este FPD tem pernas para andar logo veremos, porque, perante a resistência dos países desenvolvidos durante o debate, capitaneados pela EU e os EUA, a dúvida tem forçosamente que ser colocada. Enfim, a conclusão a tirar é a de que vivemos num mundo de hipocrisia.


Igual hipocrisia vive-se no mundo do futebol.
Esta modalidade desportiva tem tanto de encanto como de “mafiosa”. O futebol, como espetáculo de arte que é, para além de animador das economias dos países, apenas deveria ser veículo de aproximação de pessoas, com tudo o que de bom têm os povos harmonizados e entendidos. Mas não, porque o futebol é gerido por entidades que vivem na opulência e se tornaram insaciáveis com os milhões de dólares que vão arrecadando. 

Não vale a pena fazer a história do passado desta modalidade, porque essa está mais que feita. E, pelo que se vai observando em mais este campeonato do mundo, com a impostura usual da parte de quem manda, com os públicos, por força do clubismo, alheios a todo o tipo de patifarias e inversões do direito, só temos que nos convencer que, se lá chegarmos, ainda vai demorar muito a operação de limpeza de que o futebol está necessitado. 

Neste enquadramento triste, falta saber porque estamos representados neste evento desportivo pelos mais altos dignitários do país. Eles lá saberão…  

                                            GFM              

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