Laços de Ternura e Sabedoria

Filomena Freitas
Filomena Freitas

Porque é que é importante reunir jovens e idosos. Até há pouco tempo, a maioria de nós convivia com pessoas de todas as gerações.

Hoje podemos vir a ter contacto com os idosos apenas quando nós mesmos estivermos relativamente velhos.

Isso porque agrupamos as pessoas pela idade. Colocamos as crianças de três anos nas creches, as de treze em colégios e centros desportivos e as pessoas de oitenta, ou menos, em lares para idosos. Porquê?

Segregamos os idosos por muitos motivos: preconceito, ignorância, falta de boas alternativas. Os mais jovens, às vezes, para fugir do medo de envelhecer e morrer, evitam os idosos. A morte é mais fácil de suportar quando é abstrata. É muito mais duro ver alguém que amamos definhar sob o nosso olhar. Às vezes é tão difícil, que nos afastamos daqueles que mais precisam de nós.

Para a nossa saúde mental e social, precisamos de reunir os grupos etários. Alguns de nós encontraram o caminho até aos mais velhos. E descobriram que eles, muitas vezes, salvam os jovens, os bebés têm uma capacidade espantosa de confortar e curar. 

Os avós constituem um caso à parte. Transmitem aos netos uma sensação de segurança e continuidade. Os avós dão a profunda impressão de que, no fim, tudo acaba bem. Os netos falam da atenção que não recebem dos pais, cansados e exaustos. Os avós dizem-lhes para irem com calma. As crianças que convivem com os avós, são mais tranquilas, mais calmas, mais confiantes. As professoras notam isso.

Com os parentes mais velhos, as crianças aprendem sobre a vida, sobre o seu país e sobre a arte de envelhecer. Com os mais velhos ouvem histórias da família, vêm fotografias e fazem refeições caseiras. Assim compreendem melhor os próprios pais e a história do seu país. Aprendem também a arte de envelhecer.

Passam a aceitar melhor os factos, a serem mais agradecidos. E são testemunhas da incrível equação da velhice: Quanto mais se tira, mais amor se têm para o que restou.

Para aprender com os idosos, é preciso amá-los, não apenas abstratamente, mas em carne e osso, ao seu lado, em casa, no trabalho, na igreja, e na escola.

Devem trabalhar juntos para construir comunidades que lhes permitam cuidar uns dos outros. 

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