Mas nem sempre é um mar de rosas…

manuel ribeiro
manuel ribeiro

Na crónica anterior unimos o tratamento de desprezo (no mínimo dos mínimos) perante as mulheres, e por parte das religiões monoteístas, ao ódio e castigo das pessoas homossexuais, que teve, no caso do catolicismo, o seu auge durante a vigência do Tribunal do “santo” Ofício, que durou cerca de 3 séculos, tendo terminado (a Inquisição, mas não a homofobia) apenas há dois séculos precisos. Essa mancha hedionda deixou muitas sequelas sociais e de consciência e, acima de tudo, uma hipocrisia clerical nojenta. Tenho noticiado a realização de um sínodo na Alemanha, que pode ter servido de ensaio e experiência ao grande Sínodo Mundial da Igreja Católica, iniciado há cerca de um mês e a ser concluído em 2023. A participação, pela primeira vez na história da Igreja Católica, é geral, de diocese em diocese, de país em país, de continente em continente … até Roma, juntando “leigos”, sacerdotes, bispos, cardeais e o Papa. Ninguém estará acima de ninguém.

Ora, uma das conclusões do sínodo alemão, este ano terminado, foi a de propor uma bênção sagrada para os casais homossexuais (de homens ou de mulheres), que desejassem juntar-se e não perder o vínculo à instituição humana da Igreja Católica. Pois sabem qual foi o parecer da Congregação da Doutrina da Fé? Foi um parecer negativo! E sabem, caros leitores, qual é a percentagem de “gays” masculinos, segundo o jornalista francês Frédéric Martel, que se acolhem no Vaticano, de acordo com um estudo aprofundado e respetivo livro “No Armário do Vaticano”? É de 80% (oitenta por cento). Além disso, uma bênção nunca é negada a alguém, tal como um copo de água. A liturgia e o catecismo até prevêem bênçãos a objetos, tais como, automóveis, casas, etc. Não referir a hipocrisia desta atitude é uma injustiça. Aqui há uns anos, o próprio Papa Francisco pronunciou estas palavras: “Por detrás da rigidez há sempre qualquer coisa escondida: em numerosos casos, uma vida dupla”

Por outro lado, as mulheres, mesmo as heterossexuais (que são a maioria) não são todas iguais na questão da sexualidade, com relevo para o orgasmo, que é o maior prazer que uma mulher pode sentir e que a deixa no “sétimo céu” e completamente relaxada e feliz. Há sexólogos que apontam três tipos de mulheres quanto ao orgasmo: um terço das mulheres nunca experimentou qualquer espécie de orgasmo, mesmo durante o coito; um outro terço, só experimentou o chamado orgasmo clitoridiano; finalmente, um outro terço tem experiências altamente gozosas, obtendo, simultaneamente, prazeres através do clitóris e da vagina, que, por vezes, se transformam em múltiplos orgasmos sucessivos. Enfim, um final de festa com um vistoso espetáculo …

Um outro aspeto importante refere-se ao fim da possibilidade de conceção, de gerar filhos, com a chegada da menopausa, que é total e irreversível. Isto constitui um forte desequilíbrio num casal, pois um homem, desde que saudável (o caso mais conhecido de doença incapacitante é o do cancro da próstata), não experimenta uma andropausa, isto é, continua com virilidade, embora a mesma vá decrescendo com o avançar da idade. Recordemos que o homem, a partir dos 30 anos, vai perdendo, anualmente, 1% da hormona masculina chamada testosterona, ou seja, aos 80 anos, ainda pode manter 50% da sua capacidade sexual e até de gerar filhos. Estas situações são tão claras que, desde há muitos séculos, o ditado popular esclarece o seguinte: “Homem velho com mulher nova dá filhos até à cova”. E toda a gente, homem ou mulher, por experiência própria ou alheia, conhece esta realidade. Agora, pensem que, há algumas décadas, a medicina inventou, pelo menos dois medicamentos, que facilitam a ereção masculina por longas horas, desde que haja desejos mútuos. Infelizmente, ainda nada de semelhante e eficaz foi inventado pela ciência para as mulheres na menopausa. E, esse belo mar de rosas vai desaparecendo gradualmente…

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