Nunca é tarde para aprender

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Gonçalo Fagundes Meira

Valorizar experiências e adquirir novos conhecimentos pode acontecer em qualquer fase da vida. Diz-se, e bem, que só é culturalmente pobre quem teima em não querer aprender.

Infelizmente, com o evoluir da idade muita gente tende a privilegiar o ócio, abdicando de uma existência ativa e enriquecedora. Quando trabalhava, costumava dizer que muitos dos colegas reformados, contrariamente ao que acontecia no seu tempo ativo, estavam a perder dinamismo, quer físico quer intelectual, numa conjuntura que devia ser rica em vivências. Mas há sempre alguém que, neste contexto livre de horários, teima em não se acomodar. Não falta quem se valorize de forma individual ou coletiva, quem aprenda a tocar instrumentos, quem se inicie em línguas estrangeiras, quem se habitue à pintura e quem faça muitas outras coisas.

Estes dias deparei no rés-do-chão dos antigos Paços do Concelho com uma exposição de fotografia de Luís Carvalhido, meu ex-colega de trabalho. O Luís foi trabalhador administrativo nos ENVC, enquadrado nas rotinas próprias de todas as áreas de serviços.

De espirito vivo e insubmisso, notava-se nele que, quando oportuno, haveria de experimentar algo para além do que fazia na sua vida profissional. E foi a fotografia que o atraiu, provavelmente o hobby a que se dedicava desde muito novo.

A mostra em presença mostra-nos um fotógrafo suficientemente maduro mas, assumidamente, em duradoura aprendizagem, próprio de quem compreende que a perfeição é inatingível, mesmo para quem é exaustivo no que faz. O que se vê na produção do Luís Carvalhido já não é a fotografia/retrato fruto da boa utilização dos equipamentos fotográficos, de objetivos bem definidos e de enquadramentos adequados, obra que desperta imediato interesse a quem a observa. O que vemos nesta exposição prima pela diferença, já que se trata de fotografia trabalhada com sentido e objetividade, que prende o visitante na sua decifração, para a saber interpretar e senti-la num segundo tempo. Trata-se já de obra ousada e desafiadora para quem a observa.

Visto o currículo do autor constante do flyer que acompanha a exposição, bem se compreende o trabalho em presença. Muitos livros publicados, muitos prémios, viagens pelo mundo, formação àqueles que querem ser fotógrafos, enfim, um longo e aturado percurso. Boa e produtiva reforma, Luís. Está provado que o ócio não cabe na tua prática.
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