O mais “Vianense” dos três!?

Nunabre
Nunabre

Viana do Castelo – este lindo recanto minhoto, apreciado, elogiado, cantado por tanta Gente simples, bem como por Escritores de nomeada – tem ligados a si, por sangue, afeto, vivência e testemunhos, ilustres figuras da nossa Literatura: Eça de Queirós, Camilo C. Branco, Guerra Junqueiro…
O primeiro, porque apenas por razões sócio-familiares-sociais, fora levado pelos familiares maternos a nascer em Póvoa de Varzim (1845-1900). O segundo – Camilo (1825-1890), por aqui ter orado, escrito em “A Aurora do Lima”, alimentado sólidas amizades (mormente à ilustre família “Barbosa e Silva”), nunca ter regateado louvores de admiração a esta linda Cidade… Vejam, por exemplo, estas palavras escritas por ele numa carta dirigida a Mateus Barbosa: “Estou sofrendo as consequências da calamitosa noute que passei na tão formosa e p´ra mim tão cruel Viana”…
Falemos agora de Guerra Junqueiro (1850-1923). Quanto a mim, o mais vianense dos três, porque aqui viveu e trabalhou (Secretário do Governo Civil), aqui namorou e casou com Filomena Silva Neves, com bênção nupcial de Dom António Pires Gouveia – bispo do Algarve. Além disso, aqui escreveu parte da sua obra, aqui passeou na cidade e arredores, aqui admirou e elogiou as suas raras belezas, que o levaram a considerar Viana o verdadeiro “Éden do Lima”… Sua esposa era filha dos construtores e donos do Palácio do Jardim Dom Fernando, onde funciona, hoje, a sede do Instituto politécnico e dele (palácio) diz Junqueiro: “Nele se alojou, em tempo, creio que D. Maria II ou Dom Luís e ultimamente Dom Carlos, na sua penúltima visita. O palácio não era meu, era de minha sogra e três herdeiros. Foi vendido ao Governo, para instalação da Escola industrial, em Julho ou Agosto de 1888. O Governo precisava absolutamente dum edifício idóneo. Nenhum encontraria nas condições do palácio de minha sogra. O palácio foi vendido por 7 contos. A cantaria em bruto valia mais”…
Todos estes dados sobre Guerra Junqueiro (o elemento mais novo dos chamados “Vencidos da Vida” ou “Os cinco da vida-airada” (Eça, Ortigão, Antero de Quental, Oliveira Martins e Junqueiro) levam-me a considerar este talvez o mais Vianense, na introdução da presente crónica.
Freixo de Espada à Cinta, Porto, Coim-bra, Lisboa, Viana, Paris, Berna, guardam pegadas desse ilustre Vate das Letras portuguesas… Orfão de mãe aos dois ou três anos de infância, criado por uma ama, estudante do Secundário, no Porto, de Teologia, e Direito em Coimbra, poeta dotado, já desde a mocidade, viria a ser Deputado, Embaixador, Lutador fogoso e inteligente pela pena, insigne arauto da Educação, da Cultura, da Justiça, da Honra e Dignidade, da Liberdade e amor-pátrio, lutou, sofreu, sonhou, foi crente sem fanatismos, teve amigos e adversários, admiradores e derrotistas, provou desilusões, voltou finalmente à singeleza da vida rural escrevendo “Os Simples”, livro que é pérola de encantos pela naturalidade, saudade, verdade sentimental, nostalgia dos tempos idos da infância, frustração de sonhos desmedidos: “Dei a volta ao mundo, dei a volta à vida, só achei enganos, decepções, pesar…”.
Faleceu em paz, em Lisboa, em 07/07/1923, merecendo honras de panteão nacional, onde repousam seus restos mortais. Existe, no Porto, nas proximidades da Sé, a sua Fundação-Museu, em prédio e espólio legados, por sua Viúva e Filha, à Câmara do Porto, para memória futura…
Viana jamais o esquecerá…!

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