Perfilhemos quotidianamente o espírito natalício

Gonçalo Fagundes Meira
Gonçalo Fagundes Meira

Em cada ano repete-se o ritual das Boas Festas, com o desejo de afeição, bondade e paz. Porém, em cada ano, o mundo enfrenta problemas próprios de que faz rotina, com guerras, disputas sem sentido, cataclismos, misérias e perturbações sem justificação. Os nossos desejos de Boas Festas Natalícias, para boa parte da população mundial, não vão além da utopia. Para terem verdadeiro sentido, necessário se tornaria que a maior parte dos homens e mulheres que habitam o planeta possuíssem o sentimento da vivência fraterna e, expurgados de interesses mesquinhos, pudessem dar e receber, particularmente amizade, como prática natural. Mas não, ainda se vive muito com cada um a pensar em si.

Contudo, essa é uma realidade que não nos deve tolher na persecução de um mundo melhor, com Natais mínimos para todos, com menos desigualdades, mais pacificado e harmonioso. É verdade que, para quem tem já vida longa e não esquece o passado, o mundo de hoje é bem menos desigual do que era, ainda, há relativamente pouco tempo. Isso, só por si, justifica que não deve haver razão para desalentos, convictos de que haveremos de ter, cada vez mais, equidade na distribuição daquilo que é necessário para viver, com dignidade, e defender a paz como valor fundamental da harmonia entre as sociedades.

Sim, porque muito poucos compreenderão que nesta Europa de paz, tão defendida a partir da II Guerra Mundial, haja tanta gente a sofrer as consequências de uma guerra que atinge os patamares da abjeção. Obrigar pessoas à existência das cavernas, impossibilitando-a de ter luz e água para necessidades básicas e morrer de frio e fome, só pode ser próprio de homens que raiam a irracionalidade. Abominável, quando se sabe que os fomentadores de conflitos nunca abdicam da comodidade dos seus gabinetes e do fofo das suas camas, para virem ao terreno bater-se por razões invocadas. Nem querem tão pouco reconhecer que nas guerras nunca há vencedores, todos são vencidos, pelo mal que causam a tanta gente inocente. Vencedores são aqueles que as sabem evitar, criando condições para tal.

Também nós sofremos as consequências deste conflito absurdo, que parece não ter fim. Porém, se comparadas com as dos povos mais diretamente expostos, quer no palco da guerra, quer longe desta pela miséria endémica em que vivem, são efeitos mínimos. Deve, contudo, não pairar no nosso espírito o conceito já banalizado com o tempo de que “com o mal dos outros podemos nós bem”. Mal andaremos se assim pensarmos. E muito menos nesta quadra natalícia, que tanto dissemina o espírito da solidariedade, e da benquerença entre gentes, independentemente de conceitos e formas de estar.

Nesta “edição especial Natal de fim de ano”, saudamos, particularmente, todos aqueles que contribuem regularmente para manter este vetusto Jornal que, no passado dia 15, completou 167 anos de longa vida. Para além deste pequeno grupo redatorial que dá o seu melhor para que, aos leitores, chegue em cada semana um jornal alinhado pelos melhores princípios, não podemos deixar de referir os nossos generosos correspondentes espalhados pelo distrito; os nossos colunistas, que armados de completo e variado conhecimento o partilham com quem nos lê; os nossos assinantes dispersos por Portugal e o mundo; e os nossos regulares ou pontuais anunciantes. Bem hajam todos.

Boas Festas, de forma universalmente sentida.

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