Portugal tenta acordo com Espanha para comboios elétricos até Vigo

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Antero Sampaio

No curto prazo, a C.P. negoceia com a RENFE para que o mesmo comboio possa funcionar debaixo de diferentes tensões elétricas. No longo prazo, Portugal quer que a Espanha mude as catenárias ferroviá-rias. Portugal e Espanha estão a negociar um acordo para que o mesmo comboio elétrico circule entre Porto e Vigo, apesar da diferente tensão na catenária dos dois lados da fronteira.

Antes disso, já haverá novas carruagens para o serviço inter-regional na linha do Minho. A situação pode transformar o comboio CELTA, que circula com uma automotora a die-sel, alugada a Espanha, apesar da linha estar eletrificada. No entan-to, entre Porto e Valença, a catena-ria funciona, como toda a gente sa-be, a 25 mil volts. Do lado espanhol, até Vigo, a tensão é de 3 mil volts. O impasse pode ser resolvido de duas maneiras: no curto prazo a RENFE pode utilizar a locomotiva elétrica da série 252, compatível com as diferentes tensões na rede ferroviária ibérica. No longo prazo, está a ser negociada a hipótese da Espanha adotar a tensão de 25 mil volts, entre a fronteira e Vigo, seguindo os padrões europeus.

A C.P. não tem comboios bi-tensão. A RENFE tem. Mas há um trabalho a fazer com o Governo Espanhol. A mudança de tensão do lado espanhol não seria um investimento extraordinário; isto quer dizer que compete ao Governo Espanhol, e só ao Governo Espanhol, resolver, duma vez por todas, esta situação,

“vergonhosa”, na minha opinião, de ter um comboio internacional CEL-TA, PORTO/VIGO/PORTO a gasóleo, numa altura em que já se pensa enviar uma nave espacial ao Planeta Marte, para se saber se lá há ou não vida.

Agora, o serviço inter-regional da Linha do Minho é feito com carruagens ARCO, que pertencem ao lote de 50 unidades que a C. P. comprou aos espanhóis da RENFE, por 1,5 milhões de euros em junho de 2020. A C.P., atualmente, usa as carruagens

ARCO, em conjunto de três unidades: uma carruagem de segunda classe (56 l.s.) uma carruagem de primeira classe (56 l.s.) e ainda a composição- bar que inclui espaço para oito bicicletas e (25 l.s.). estas unidades substituíram as unidades CORAIL. As carruagens ARCO são rebocadas por locomotivas 2.600.

A Linha do Minho está totalmente eletrificada desde o final de abril de 2021 com a conclusão do troço NINE/VALENÇA, que custou cerca de 50 milhões de euros. Graças aos comboios elétricos, o movimento de passageiros em 2022, cresceu 23%.

Se estivesse concluída o movimento seria muito maior.

Conclusão: na minha modesta opinião, creio que é já tempo do Governo Português o e Espanhol (tão amigos nas Cimeiras Ibéricas!) se entenderem, e a RENFE mudar a voltagem para 25.000 volts. Depois, é preciso rentabilizar a Linha do Mi-nho, com paragens em localidades que tenham praias marítimas e flu-viais, como Areosa, Carreço, Afife (3 praias) Âncora, Vila Praia de Âncora, Moledo, Caminha, Seixas, Lanhelas,

Vila Nova de Cerveira, muito procuradas na época balnear, possibilitando os habitantes destas localidades a deslocarem-se a Vigo e os espanhóis a frequentarem aquelas praias. Tenho esperança que este assunto se resolva até às Jornadas Mundiais da Juventude, a realizar em Lisboa, em agosto próximo.

Além da Imprensa Regional, compete à Porto e Norte de Portu-gal, às Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia que têm praia, dizerem ao Governo, através do Secretário de Estado do Turismo, e ao Ministro das Infraestruturas, que o Alto Minho também é Portugal. Dizer à RTP que quando falar de Turismo, não fale só do Algarve. Será que o meu país agora, em turismo, vai do Porto ao Algarve? Isto eu não aceito. Nem eu nem os Alto Minhotos.

 

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