Protesto e negociação

Gonçalo Fagundes Meira
Gonçalo Fagundes Meira

Os cartazes presentes na manifestação de protesto dos professores no dia 10 de junho, visando o primeiro-ministro e o ministro da Educação, resultaram em acalorado debate no país, com considerações de excesso de linguagem de uns e de tolerância de outros, defendendo estes o direito à manifestação de protesto. 

É bem conhecido o conceito de que a liberdade tem limites e que termina quando se torna ofensiva e põe em causa o direito à liberdade e ao bom nome de terceiros. O caso concreto não merece muita análise, até porque não é novo e só aconteceu porque o primeiro-ministro acusou os cartazes e os seus autores de prática racista. É bom lembrar que eles já apareceram em várias manifestações de professores, particularmente nas organizadas por sindicatos de cariz mais radical.

O protesto quase sempre assenta em razões justas. Não é novidade para ninguém que a reclamação cresce quando os problemas das pessoas se avolumam e os poderes não fazem tudo o que está ao seu alcance para os resolver ou minorar. O protesto surge para chamar a atenção de males que se instalaram sem que alguém lhes desse atenção. São legítimos, desde que suficientemente justificados, porque alertam e clamam por soluções, podendo ainda ajudar quem nos governa a serem melhores governantes. Tomara que não houvesse contestação, já que seria um sinal de uma governação de satisfatória qualidade. E diz-se satisfatória qualidade, porque a perfeição não existe. Mas as manifestações, com mais ou menos veemência, também têm regras, particularmente, pelo respeito que merecem os contestados e pela civilidade que em tudo deve estar presente nas sociedades. Acresce que os excessos e a falta de respeito inviabilizam diálogos na procura de soluções para os problemas.

Não se torna facilmente vencedor, nem dá boa imagem de si à sociedade quem foge a todas as normas da urbanidade. Este é um conceito que vale para todos e não visa ninguém em especial. A experiência diz-nos que a guerra é incentivadora de guerra maior. Para defender direitos e pontos de vista, para corrigir males e melhorar situações, com suficientemente firmeza, a negociação ainda é, e será sempre, o melhor caminho. Para além da negociação, normalmente, o que prevalece é o arrastamento dos problemas.

O SCV subiu à Liga 3 do Campeonato Nacional. Já não era sem tempo. Diz-se que o bom enquadramento de um clube de futebol na sua região tem muito a ver com o desenvolvimento desse espaço. Esperemos, então, que a nossa riqueza dê agora um salto em frente e que economia e o futebol, saudavelmente, não parem de crescer. Para já, parabéns, SCV.

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