Respeitem as gentes do Alto Minho

Gonçalo Fagundes Meira
Gonçalo Fagundes Meira

Lamentavelmente, em boa parte dos casos, só com protesto é que conseguimos ver resolvidos problemas que nos afetam. A saúde é tão elementar para os cidadãos que, em questões fundamentais, nunca deveria merecer exigências da parte das populações. Contudo, infelizmente, com o que mais deparamos em cada dia é com manifestações de desagrado por falta de cuidados médicos.

Sabemos que nem sempre o protesto é de todo justificado e que, por vezes, se desvaloriza razões que devem ser ponderadas. Mas não há desculpa, por exemplo, para ainda haver em Portugal 1,6 milhões de cidadãos sem médico de família ou que os doentes que estão a precisar de uma consulta, em certas zonas do país, tenham que ir de madrugada para a porta do Posto Médico, expostos à invernia, a fim de o conseguirem, com um qualquer médico de serviço. A falta de médicos pode justificar alguma coisa; o que não pode é justificar este descalabro de haver quase 20% dos portugueses, a maioria gente idosa, não dispondo de médico para os acompanhar na idade mais carecida.

Tudo isto sem deixar de salientar os imensos progressos que fizemos no domínio da assistência médica em Portugal, particularmente depois da Revolução de Abril, dispondo de um SNS que já foi considerado um dos 10 melhores do mundo. E, mais importante, com o enraizamento no país da profilaxia da saúde, em que a esmagadora maioria da população – contrariamente a outros tempos – deseja o acompanhamento médico para evitar males e dispor de tratamento para cada doença com que é afetada.

Estas são considerações de ordem geral, mas Viana do Castelo está neste momento a levar a cabo uma das mais legitimas reivindicações, que é a instalação no hospital da cidade de uma valência de radioterapia, com o objetivo de minorar o sofrimento de quem padece de doenças oncológicas, com deslocações para fora de Viana em condições no mínimo desumanas. Apresentar a justificação de que ninguém se queixa, para além de demonstrar insensibilidade e inaptidão para estar à frente de uma Unidade de Saúde de grandeza, como é o caso, é também um convite ao protesto. Parece que é o que devem fazer os quase 40 mil cidadãos que já assinaram a petição a solicitar que no Alto Minho haja serviço de radioterapia para as gentes deste espaço que dela têm necessidade. 

Que prevaleça o bom senso e aí não seja preciso chegar. No entanto, que não desarmem a Liga dos Amigos do Hospital, os vianenses e os alto-minhotos, perante esta justa reivindicação. A Aurora do Lima, pela parte que lhe toca, não deixará de estar ao serviço de mais esta legítima causa.

                                      GFM 

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