Sem partidos não há democracia

Gonçalo Fagundes Meira
Gonçalo Fagundes Meira

Nunca os partidos políticos foram tão diabolizados como hoje são. Se nas redes sociais não é para admirar, porque aí é o que sabemos (não é por acaso que estas têm cada vez menos frequência), já em boa parte dos órgãos de comunicação social, onde se deve ponderar o que se diz e escreve, dá para surpreender. Podemos afirmar que os partidos estão longe de fazer tudo o que deviam para resistir com firmeza contra as investidas de quem não os aprecia; contudo, estão estes longe de merecer os ataques de que são alvo. 

Qualquer entidade, seja de que área for, sendo composta por seres humanos, com as suas virtudes e os seus defeitos, está sujeita a comportamentos menos próprios, e em relação a esses poucos lhe perdoam, já que a tendência de quem julga dificilmente é para ponderar sobre o que de bom foi feito, mas tendo quatro olhos para ver o que de mal aconteceu. São assim as sociedades, sendo-o menos naquelas em que prevalece uma cultura superior, onde os balanços são feitos na base de muito pragmatismo, valorizando o bom e o menos bom.

Mas os partidos políticos, que tudo devem fazer para errar cada vez menos e serem entidades de referência nos espaços em que se movem, sujeitos à crítica, como acontece com tudo na vida, são merecedores do respeito que a sua função de suporte da democracia merece. E não parece que é isso que está a querer acontecer. Fazer aparato junto da sede de uma entidade partidária, e da casa do seu ex-presidente, com um batalhão de agentes da justiça para investigar o que se considera menos correto no cumprimento da lei que rege a atribuição de valores financeiros para determinados fins, ainda para mais com os órgãos de comunicação social previamente mobilizados, só pode ser considerado um aleijão no uso da investigação.

Sem partidos não há democracia e os portugueses já manifestaram, suficientemente, nas sucessivas eleições que se foram realizando, o seu apego ao regime democrático e à sua vontade de viver em liberdade. Para existir sem pluralismo partidário, ou apenas com um partido criado para bater palmas ao poder ditatorial, já bastou quase meio século. E se há alguém a querer conviver mal com a democracia, que não seja quem tem que velar pela sua sustentabilidade. Ninguém está acima da lei, é verdade, mas também ninguém pode estar abaixo da lei. Cada um no seu espaço, cada um com os seus direitos, e lei igual para todos.

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