Sons Efémeros… Conceitos do Momento…

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Sidónio Ferreira Crespo

 

A Primavera, está em força, a chegar! A natureza, todos os anos, mostra este evento que renova as nossas mentes. Com ela vem a alegria, o sol e o calor, caminhando para o Verão. O colorido e a satisfação das flores a desabrocharem para a vida concorre para se criar um ambiente de festa que se respira por toda a parte. As águas dos rios, ribeiros e dos ar­roios torrenciais começaram a deixar ver, por transparência, as pedras dos seus leitos arenosos.

O tanger alegre dos sinos nos campanários esguios das aldeias do nosso Minho, ecoa nos lares, lavados, devido ao rigoroso Inverno, como uma benção divina. Associam-se os louvores das pessoas às galas da natureza. As fontes, num murmúrio recatado, oferecem a sua água cristalina, benzida e purificada pelo sol. Os lírios, as papoilas e os malmequeres, a despontarem, vermelhos como as chagas do Senhor, ou brancos como os vestidos das noivas e húmidos como lábios juvenis, abrem as suas pétalas de veludo e orvalho macio das manhãs, avultando como flocos de neve ou manchas de baton na verdura fresca das campinas. As árvores floridas, perfumando os ares, oferecem o pólen às abelhas em troca dos seus beijos enternecidos. A terra, transfigurada pela nova seiva fecundante, começa a ter encantos de jardins desconhecidos, recreando-se com har­monia discreta e deleitosa dos seus cursos de água, com o aroma capitoso dos seus canteiros relvosos, com o azul do céu puríssimo e profundo, com a aragem suavíssima que agita os arvoredos majestosos, com a frescura apetitosa das manhãs perfumadas, com a penumbra recatada das tardes de lenda, com o luar alvinitente das noites silenciosas, com a garridice feminina dos insectos estouvados… Tudo é lindo! Todo o nosso acontecer se inte­gra nos seres que formam o universo e se identifica com o que nele existe.

Lembro, neste contexto, os tempos do passado e aquilo que aprendi, através do ensino dos mestres, seguindo-se, depois, a instrução da escola da vida. A comunhão com a natureza ajuda a compreender o segredo interi­or de ser belo, bom e feliz. Ao contemplar as estrelas, os cursos de água, as árvores e os montes, o olhar adquirirá a expressão simpática das almas plácidos e boas. Ao afastarmo-nos dos tumultos, das pessoas revoltadas e das ambições desordenadas, a fim de respirar o ar puro dos campos, entra, no coração, a alegria de viver. Realmente, existem particularidades na natureza que, pelo seu aspecto, recordam-nos pessoas que nós conhecemos. Árvores velhinhas que lembram avós, às quais se sentem desejos de pedir conselhos e benerar. Flores que copiam a graça de certos vultos femini­nos. Casebres que guardam o ar modesto das pessoas simples e recatadas.

O arvoredo segura as chuvas que encharcaram os campos, que depois fecun­dam a terra que se fortalece de novo, a fim de preparar a ressureição da Primavera. Tudo é nobre, encantador! “Mocidade… Mocidade”… refere a canção dos anos sessenta, e repetimos nós, através do povo anónimo. Como é bom recordar… Proclamam, em transfiguração, aquelas gentes que têm algo retido na memória desse aformosear do passado em comparação com o presente.

 

Nota: Esta crónica, por vontade do autor, não segue a regra do novo acordo ortográfico.

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