Sons efémeros… Conceitos do momento…

Sidónio Ferreira Crespo
Sidónio Ferreira Crespo

Estamos em plena época carnavalesca. Os habitantes do globo terrestre festejam o evento, atento os hábitos e costumes de cada povo. Surge, então, em cheio, o Carnaval… Permitam-me focar, no Brasil, relativamente à parte que conheço na vivência nordestina, a cidade do Recife, apelidada “Veneza Brasileira”, onde o apogeu acontece durante a apresentação do “Galo da Madrugada”, considerado um dos maiores e mais animados blocos momescos do Mundo. Representa, dessa forma, a abertura oficial da festividade. Na vizinha Perfeitura de Olinda, também, este divertimento é marcado pela alegria, destacando-se a fantasia, a purpurina, os confettis e as serpentinas. A magia deste Carnaval, onde tudo parece ser permitido, desafia regras de cortesia para os mais resistentes e foliões. Em Olinda, na parte da cidade antiga, desfruta-se, junto dos arruamentos, o tipismo da festa Olindense. Caminhar naquelas artérias estreitas de paralelos irregulares com ladeiras apertadas a mostrar a sua história, as suas lutas quando foi invadida pelos holandeses, os seus carnavais e a sua arte, ladeado por um casario do tempo do colonialismo, em que a Municipalidade não permite alterações à sua raíz, parece que estamos a passear na nossa terra.

Duarte Coelho, após receber do rei de Portugal, na época, D. João III, a Capitania de Pernanbuco e criado o seu corpo expedicionário, chegou a Itamaracá, no Brasil, em 1535. Assinala a história que, na busca de um local para se instalar, ao subir uma colina próxima do mar, exclamou: “Oh! Linda situação para uma vila!” Funda, então, um povoado que se tornou vila e, mais tarde, cidade. Com o decorrer dos tempos, na adaptação da linguagem popular, passou a chamar-se Olinda, agora Património Cultural da Humanidade. Quando visitamos aquela característica urbe, carregada de memórias portuguesas, nunca cansa… aliado a comer na “Oficina dos Sabores”, onde ficamos rendidos às suas delícias culinárias. Restaurante único no género, que alia o sabor das iguarias inusitadas à beleza exótica da cidade. Num dos seus recantos, sob um varandim de verdura, tudo envolvido em coqueiros e outras árvores tropicais, vendo-se, não muito longe, o mar azul, servem uma mistura de paladares e aromas, sem deixar de lado o tempero nordestino, apresentando um “jerimum recheado”, em que nós adaptamos para a palavra abóbora, contendo camarão ao molho de manga acompanhado de cebola às rodelas panada e arroz de bróculos, ou o chamado carreteiro, que leva feijão avermelhado, tudo, sem dúvida, regado com a saborosa caipirinha.

No átrio de entrada do restaurante, na primeira vez que o visitei, encontrava-se exposta uma panorâmica das obras de Eça de Queirós, com a fotografia do escritor afixada numa das paredes laterais, juntamente com postais ilustrados a marcar o acontecimento. Noutra ocasião, nesse mesmo recinto via-se, em fotografia, colocado, também, numa das paredes, um enorme bacalhau, fazendo referências a algumas das maneiras como é cozinhado em Portugal. A curiosidade levou-me a questionar a razão daquelas ocorrências e outras do mesmo género, que aproveitaram para informar. Foi-me respondido que o actual proprietário, devido a motivos comerciais, relaciona-se bastante com a nosso país e, ainda, porque o seu bisavô, do lado do pai, era português.

Nota – Esta crónica, por vontade do autor, não segue a regra do novo acordo ortográfico. 

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