Venham as Festas de 2024 

Gonçalo Fagundes Meira
Gonçalo Fagundes Meira

Nada é perfeito, nada é imune a críticas e, naturalmente, nada unanimemente satisfaz. Quanto mais se lê sobre as Festas d’Agonia, particularmente nos jornais, mais se conclui que estas, ao longo dos tempos, tiveram desencantos em abundância, mas, no geral, quase sempre foram encantadoras. Sempre se discutiu muito se havia ou não Romaria, porque faltavam os apoios ou porque escasseava quem organizasse os festejos, mas sempre Romaria houve. 

Recorria-se a comissões improvisadas de última hora, mas, quantas vezes, eram essas as que melhor se operacionalizavam, com mérito bem reconhecido pela Imprensa e pelo público em geral. E, para rematar a abordagem da história, porque o espaço é escasso, não podemos deixar de recordar o acontecido no princípio do século XX quando, por desencanto de um espetáculo taurino, no decorrer do mesmo, os romeiros assistentes arrasaram a Praça de Touros e deram forte tareia nos toureiros. 

Felizmente, hoje, isso são vivências do passado. Critica-se muito a especulação hoteleira e de outras áreas, mas, apenas por curiosidade, atente-se no que dizia o A Aurora do Lima depois das Festas de 1931, há quase um século: “Festas mudadas, bastante molhadas e infelizes forasteiros a quem foram bem enxugados os seus ricos bolsos. Houve exageros nos alugueres de quartos, a tal ponto de se pedir por uma só cama, para dois rapazes amigos, da Figueira da Foz, setenta escudos por noite. Como este há imensos casos, verdadeiramente escandalosos. Citamos um só para fugirmos a tanta miséria”. Mas as Festas foram de um impressionante brilhantismo, mesmo com dias de copiosa chuva. Disso nos deu conta a jornalista brasileira Eveta Ribeiro, em crónica de livro, porque a elas tinha assistido.

Temos, portanto, Festas com altos e baixos, com números melhores e piores, mas que arrastam cada vez mais povo para Viana, gente que se deixa deslumbrar e que manifesta disposição para regressar. Há sempre aspetos a corrigir, mas também deve ser reconhecido que algo se vai retificando e, neste ano, muita gente de tal se apercebeu e se manifestou favoravelmente, particularmente no domínio da limpeza da urbe, da segurança e de melhor operacionalidade do trânsito. Até o que mais se temia, que era o término da Volta a Portugal na cidade, não mereceu grandes reparos, a demonstrar que não foi o caos previsto.

Conclusão: Sem marasmos, antes com dinâmicas desenvolvimentistas em cada dia, venham as Festas de 2024, que, de certeza, terão aspetos de brilhante qualidade, como sempre aconteceu ao longo dos 251 anos que, oficialmente, temos de Romaria.

                                                              GFM 

Outras Opiniões

Os leitores são a força e a vida do nosso jornal Assine A Aurora do Lima

O contributo da A Aurora do Lima para a vida democrática e cívica da região reside na força da relação com os seus leitores.

Item adicionado ao carrinho.
0 itens - 0.00

Ainda não é assinante?

Ao tornar-se assinante está a fortalecer a imprensa regional, garantindo a sua
independência.