Viana com Castelo não dorme!

Defensor Moura
Defensor Moura

Sou um reformado com tanto que fazer que me falta pachorra e tempo para desmontar tantas baboseiras que ouço e leio sobre a nossa cidade, especialmente quando são fruto de sonhos e de frustrações do emissor.

Não liguei à gabarolice de quem disse ter encomendado uma estátua dedicada à Mulher de Viana a um escultor que não se lembra de tal encomenda e depois denegriu a escultura que eu realmente encomendei e mandei implantar na praça poente do Castelo de Santiago da Barra, só porque foi colocada num local que considera escondido.

Realmente aquele local estava escondido porque era um recanto vergonhoso da cidade, cheio de velhos e arruinados armazéns que escondiam a muralha do castelo, que tive o gosto de transformar numa praça aprazível onde homenageamos D. Maria II e a Mulher de Viana, nas comemorações dos 150 anos de elevação da vila a cidade de Viana do Castelo. A escultura da Mulher a saudar os navegantes que entram a barra do Lima, não foi para aquele local por acaso.

Também não perdi tempo a desmentir quem exagerou os custos da demolição do Prédio Coutinho, por essa afirmação ter sido feita por quem, anos antes, também tinha querido demolir o mostrengo, mas que não tinha tido arte nem engenho para arranjar os meios necessários para apagar aquela monstruosidade da paisagem da nossa cidade.

Mas agora, alto lá! Está a pôr em causa a nossa auto estima e o orgulho de ser vianense!

Não é apenas maledicência da dor de cotovelo o chorrilho de mentiras que a última página da Aurora do Lima publicou esta semana em “Aveiro cresceu e Viana adormeceu”.

Quem está a dormir sei eu e sabem os vianenses!

Há alguns meses desafiei Branco Morais “a descer à terra, para ver” o que o nosso município tinha progredido desde o ano em que os eleitores vianenses o escorraçaram (por duas vezes!) da liderança da Câmara Municipal, mas, entretanto, o autor da última página foi-se entretendo a escrever umas banalidades sobre política nacional e a visita a Viana com Castelo continuou a ser adiada.

Pelos vistos tem andado por fora, onde ninguém o conhece para não ser importunado, tendo ido desta vez visitar Aveiro. E deu-lhe para fazer comparações com Viana.

Imaginem que, quem não tem olhos para ver a Viana “Meca da Arquitetura” com uma requalificação urbanística elogiada nacional e internacionalmente, ficou com os olhos esbugalhados com a Arte Nova de Aveiro.

Elogiou os moliceiros enquanto por cá, se calhar nunca visitou o Gil Eannes (para ignorar o sucesso da nossa iniciativa e para não ter de se misturar com o milhão e duzentos mil forasteiros que já o visitaram).  E até cita os ovos moles aveirenses, desvalorizando as bolas do Natário, com filas de apreciadores só equiparáveis às que se formam no Elevador de Santa Luzia que, no seu tempo na autarquia, estava quase sempre parado. E como tirou um curso de economia, BM fez questão de destacar as atividades económicas e as indústrias aveirenses comparando-as, naturalmente, com a Viana que ele conheceu e, pelos vistos, pensa que ainda está como quando foi democraticamente despedido pelos eleitores vianenses da liderança municipal.

Porque não vai ver as dezenas e dezenas de empresas que estão instaladas nas Zonas Industriais de Lanheses, Meadela, Alvarães/Neiva e Praia Norte (incluindo as fábricas do Cluster Eólico) e outras atividades económicas no comércio, restauração e hotelaria que foram criadas nos últimos vinte e cinco anos e tem aumentado significativamente o PIB concelhio?

Como se atreve a afirmar que Viana desperdiçou a abundância de fundos comunitários quando, para além de muitos outros importantes apoios parcelares, todo o país soube que Viana do Castelo foi a cidade que teve o maior financiamento comunitário do país para o Programa Polis e depois foi uma das três únicas candidaturas aprovadas para o Polis do Litoral? 

Mas para não nos alongarmos em descrições do que todos os vianenses conhecem e BM insiste em querer apagar, debrucemo-nos sobre o que foi o resultado do desenvolvimento dos dois concelhos neste período – o poder de compra dos cidadãos.

Depois dos cinco primeiros mandatos de executivos camarários eleitos depois do 25 de Abril (todos liderados pelo PSD), na primeira publicação do INE depois de eu entrar na autarquia, em 1995 o Poder de Compra dos Vianenses era de 73% da média nacional.

Nesse mesmo ano o Poder de Compra dos Cidadãos Aveirenses era 126%. Cinquenta e três pontos mais alto do que o dos Vianenses!

Em 2011, na primeira publicação do INE depois de eu sair da autarquia, o Poder de Compra de Viana do Castelo tinha subido para 93% e o de Aveiro tinha estagnado em 126%. Em apenas dezasseis anos, Viana recuperou 20 pontos de Poder de Compra!

Comparemos agora a evolução destes índices até 2019, última avaliação publicada pelo Instituto Nacional de Estatística.

Tal como aconteceu na maioria das capitais de distrito, apesar dos progressos anunciados e verificados, o Poder de Compra dos Vianenses estagnou nos anos seguintes e os índices publicados pelo INE em 2013, 2015 e 2017 mantiveram-se na mesma casa percentual, fixando-se o de 2019 igualmente em 93,77%.

Mas, como o índice do Poder de Compra de Aveiro em 2019 baixou para 121,75%, Viana do Castelo apesar da estagnação ainda se aproximou mais 5 pontos.

Quer dizer, em 25 anos Viana do Castelo reduziu em 25 pontos percentuais do Poder de Compra, a distância para Aveiro.

É certo que ainda não recuperamos do enormíssimo atraso que herdamos do executivo de BM e dos seus correligionários que o antecederam, mas para lá caminhamos com segurança, apesar do que repetidamente anuncia o renitente portador de falsas mensagens.

Afinal, quem está a crescer e quem está a dormir?

Eu, cá para mim, sei muito bem quem está a dormir, a dormir um sono tão profundo que a um leigo pareceria um estado de coma. Mas, estou plenamente convencido de que estes fogachos não passam de uma cega obsessão, que usa e abusa do misericordioso acolhimento “na porta do fundo” d’A Aurora do Lima para tentar reescrever a história recente de Viana do Castelo.

Mas a defesa da auto estima dos vianenses, merece melhor! 

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